Os arredores do Supremo Tribunal Federal (STF) amanheceram nesta segunda-feira (1º) sob forte esquema de segurança. O reforço ocorre às vésperas do início do julgamento que apura uma suposta tentativa de golpe com o objetivo de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
O efetivo extra da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) deve permanecer em alerta até, pelo menos, 12 de setembro, prazo estimado para a conclusão do julgamento, conforme o cronograma definido pelo Supremo.
Desde meados de agosto, a Corte vem adotando medidas de prevenção. Cerca de 30 agentes da Polícia Judiciária foram deslocados de outros estados para Brasília, e parte deles já dorme em dormitórios montados dentro do próprio tribunal para garantir resposta imediata em caso de necessidade. Foram realizadas também diversas varreduras no prédio do STF e nas residências dos ministros da Primeira Turma — composta por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Nesta terça-feira (2), entra em vigor um esquema integrado de segurança entre a Polícia Judicial Federal e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). Estão proibidos acampamentos e manifestações nas imediações do tribunal. Policiais farão revistas em bolsas e mochilas, além de monitorar a movimentação na Praça dos Três Poderes e nas vias de acesso ao Supremo. O uso de drones com imagem térmica, em operações diurnas e noturnas, também foi autorizado.
Outra frente de atuação é a Célula Presencial Integrada de Inteligência, em funcionamento desde esta segunda-feira (1º) na sede da SSP-DF. O espaço reúne órgãos de segurança locais e federais para acompanhar em tempo real a movimentação de pessoas em Brasília e nas redes sociais, com o objetivo de planejar ações preventivas.
Mesmo sem possibilidade de protestos no entorno, a rotina da região central da capital será impactada. Mais de três mil pessoas se inscreveram para acompanhar presencialmente o julgamento, em número limitado de vagas ao público. A imprensa também marcará presença: 501 jornalistas, brasileiros e estrangeiros, solicitaram credenciamento.
O processo tem como principal réu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele não é obrigado a comparecer, mas poderá acompanhar a sessão caso queira — desde que obtenha autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
Outros sete acusados também têm direito de presença no julgamento. Entre eles, militares e ex-assessores próximos ao ex-presidente, todos denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentarem romper com a ordem democrática.
Os réus do chamado “núcleo 1” respondem por cinco crimes: integrar organização criminosa armada, golpe de Estado, atentar violentamente contra o Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado da União e dano qualificado por violência e grave ameaça. Somadas, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Não há previsão de bloqueios na Esplanada dos Ministérios durante a semana, com exceção das restrições para o desfile de 7 de setembro, no sábado. Nessa ocasião, a via será fechada a partir das 17h do dia 6, próximo à Catedral de Brasília, e, às 23h, a interdição alcançará a alça leste, logo após a Rodoviária do Plano Piloto.
O acesso ao público no desfile será liberado às 6h do feriado. Serão barrados itens como armas, fogos de artifício, mochilas grandes, barracas, recipientes de vidro, objetos cortantes, líquidos inflamáveis e drones não autorizados.




