Após um ano e quatro meses no chão, os três monumentos de tuiuiús voltaram a ocupar lugar de destaque no Aeroporto Internacional de Campo Grande. As esculturas “Zé Bicudo”, “Majestoso” e “Asa Branca”, símbolos do Pantanal e cartão de boas-vindas da Capital, foram recuperadas pelo artista Cleir Ávila com apoio do Sicredi e da AENA.
Criadas em 2000, as obras representam as etapas do movimento aéreo — pouso, abastecimento e decolagem — e se consolidaram como referência cultural e turística. “Eles são a porta de entrada da cidade, um símbolo do Pantanal sul-mato-grossense. Quando a AENA chegou, em 2023, 40 dias depois os monumentos tombaram. Tivemos que mudar as prioridades, mas hoje estamos felizes em vê-los de volta”, afirmou Usiel Vieira, diretor do aeroporto.
O processo de recuperação exigiu técnica e memória do escultor. “Para fazer a restauração, tive que usar a lembrança de 25 anos atrás, quando modelei cada detalhe. Consegui recuperar 90% da parte de modelagem, mas toda a estrutura precisou ser reforçada. A manutenção é fundamental: são 2,5 metros enterrados no solo e seis metros de altura no total. A cada três anos é preciso revisar para evitar fissuras”, explicou Cleir Ávila.
A queda, registrada em dezembro de 2023, foi causada por rajadas de vento acima da média. “É diferente de temporal. O temporal eles suportam até 160 km/h, mas a rajada é como um tornado horizontal. Por isso, além da restauração, foi firmado contrato com o Sicredi para manutenção por cinco anos”, acrescentou o artista.
A emoção também tomou conta de quem ajudou a batizar as aves. Zaltino Ojeda Pereira, 45 anos, participou do concurso realizado em 2018 e foi responsável por escolher os nomes. “Eu morava aqui perto e sempre me chamava atenção a grandona, que chamei de Majestoso. Depois vieram os outros: Zé Bicudo e Asa Branca. Quando caíram, fiquei muito triste. Hoje é uma alegria ver que voltaram a ocupar seu lugar.”
O presidente do Sicredi, Celso Ramos Regis, destacou a simbologia do retorno: “É muito importante devolver esses monumentos justamente no aniversário de 126 anos de Campo Grande. Eles têm nome graças ao concurso que realizamos e ver os três em pé novamente é maravilhoso.”
Essa não é a primeira vez que os tuiuiús enfrentam o clima adverso. Em 2010, uma das esculturas também tombou durante um temporal. Mesmo assim, permanecem como referência do Pantanal. “Nada poderia simbolizar melhor o Pantanal e o aeroporto que esse movimento aéreo do tuiuiú”, resumiu Ávila.




