Em meio às sucessivas denúncias e controvérsias envolvendo o Consórcio Guaicurus, vereadores de Campo Grande articulam alternativas para reduzir a dependência do município em relação à concessionária responsável pelo transporte coletivo. A empresa, que mantém contrato bilionário com a prefeitura, acumula reclamações e questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado.
O consórcio foi alvo, no ano passado, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara Municipal. O relatório final apontou que a empresa recebe valores elevados, mas entrega um serviço considerado insatisfatório à população.
Entre os principais problemas listados estão o sucateamento da frota — com mais da metade dos veículos operando além da vida útil prevista em contrato —, a falta de fiscalização efetiva por parte das agências reguladoras do município e as reiteradas alegações de déficit financeiro feitas pelo consórcio, mesmo após lucros bilionários acumulados ao longo da concessão.
Paralelamente, tramita na Justiça um pedido de intervenção na empresa. Diante desse cenário, vereadores têm retomado projetos já discutidos anteriormente na Casa como forma de pressionar por melhorias no sistema.
Um deles é o chamado projeto do “ar no busão”, que prevê a instalação de ar-condicionado nos ônibus da Capital. Segundo o vereador Landmark Rios (PT), a proposta voltou a tramitar na Câmara. Embora tenha sido aprovada anteriormente, acabou vetada pelo Executivo, e o veto foi mantido pelos próprios parlamentares no ano passado.
Ainda sem previsão para nova votação, Landmark defende que a medida atende ao interesse coletivo e critica a possibilidade de novos incentivos fiscais ao consórcio.
“Estamos atentos ao prazo da intervenção. O Consórcio só quer benefícios, mas nada de colocar um ar no busão. Ele só quer benefício, mas nada de um ônibus novo para a população”, afirmou.
Outra proposta que volta ao debate é a implantação da tarifa zero no transporte público, garantindo gratuidade aos usuários. O tema já foi discutido em audiência pública e analisado pela Câmara em anos anteriores, mas não avançou.
A principal defensora da medida é a vereadora Luiza Ribeiro (PT), que aponta a possibilidade de apoio financeiro do governo federal. Em dezembro do ano passado, o ministro das Cidades, Jader Filho, do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que a implementação da tarifa zero depende da conclusão de estudos técnicos conduzidos pelo Ministério da Fazenda. Somente após a consolidação desses dados será possível construir um modelo conjunto de financiamento entre as pastas.
Entre os pontos em análise estão o volume de recursos atualmente destinados ao transporte — que poderia ser redirecionado para outros setores da economia — e os impactos da medida na arrecadação pública.
Para Luiza, a proposta representa uma transformação estrutural no modelo de mobilidade urbana.
“O Governo Federal entra com parte do recurso das cidades e, em contrapartida, os municípios não cobram a tarifa. Hoje grande parte dos municípios, assim como Campo Grande, já paga, oferece isenções, e não recebemos a qualidade no serviço. A ideia do presidente Lula é colocar dinheiro do Estado com outras arrecadaações e conseguir fazer tarifa zero em todas as cidades. Ainda não sabemos o cronograma, mas costumam começar com as cidades maiores. Achamos vantajoso para a sociedade. Temos tarifa cara e ineficiência. Toda sociedade precisa do transporte coletivo.”
A vereadora relatou ainda que participou de um seminário sobre o tema em São Paulo e que pretende reapresentar a proposta na Câmara de Campo Grande no início de 2026.
“O presidente Lula deve apresentar, no início do ano que vem, o resultado desse trabalho que o Ministério da Economia está fazendo para conseguir uma solução no transporte público. O que não dá para fazer é ficar com esse modelo que estamos hoje. Com ônibus velho, colocando a vida das pessoas em risco, não pagando trabalhador. Já temos quase 200 cidades brasileiras com tarifa zero”, disse Luiza Ribeiro (PT).




