A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), formalizou um pedido ao Governo do Estado para antecipar o repasse da última parcela do convênio que subsidia o passe estudantil dos alunos da rede estadual. A medida envolve o adiantamento de R$ 3,3 milhões, valor que poderá ser destinado ao Consórcio Guaicurus e destravar o impasse que mantém a greve no transporte coletivo da Capital.

O convênio, no montante total de R$ 13.470.573,90, foi firmado em junho de 2025 e dividido em quatro parcelas, com previsão de conclusão dos pagamentos apenas em 2026. O secretário de Estado de Governo, Rodrigo Perez, confirmou ter recebido o ofício encaminhado pela prefeita solicitando a antecipação da última cota.

A confirmação ocorreu durante um café da manhã com jornalistas no Parque dos Poderes. Segundo a expectativa do Executivo municipal, com a liberação antecipada do recurso, a prefeitura faria o repasse imediato ao Consórcio Guaicurus, permitindo que a empresa quite os débitos com seus funcionários.

Atualmente, a concessionária acumula mais de R$ 1 milhão em salários atrasados. A quitação da folha é apontada como condição essencial para o encerramento da paralisação que afeta o transporte público em Campo Grande.

Sem acordo entre empresa e trabalhadores, a cidade amanheceu nesta quinta-feira (18) pelo quarto dia seguido sem ônibus circulando. A paralisação, mantida desde o início da semana, já resultou em multa acumulada de R$ 520 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG).

A continuidade da greve foi confirmada pela categoria na tarde de quarta-feira (17). Os motoristas alegam que não houve retomada do diálogo e que, sem avanços concretos nas negociações, não há possibilidade de suspender o movimento. A exigência segue sendo o pagamento integral dos salários em atraso.

Este é o maior movimento grevista do transporte coletivo registrado em 31 anos na Capital. A última paralisação total havia ocorrido em outubro de 1994 e durou três dias. Diferentemente daquele episódio, em 2025 os trabalhadores decidiram manter a greve mesmo diante de decisão judicial que determinava o retorno das atividades.

Enquanto isso, os impactos se espalham pela cidade. O comércio contabiliza prejuízos, o Centro apresenta movimento reduzido e a população busca alternativas para se locomover. Apesar dos transtornos, muitos usuários demonstram apoio à reivindicação dos funcionários do Consórcio Guaicurus.