A 7ª Conferência Regional de Direitos Humanos de Campo Grande e Região reuniu representantes de diferentes esferas da sociedade para discutir caminhos para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à garantia de direitos. Entre as diretrizes aprovadas, uma das principais foi a criação de um banco de dados unificado entre os governos municipal, estadual e federal — proposta que deverá ser levada à etapa estadual da conferência, prevista ainda para este semestre.
O encontro, promovido pela Prefeitura de Campo Grande por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), contou com a participação de 111 pessoas, incluindo membros do poder público, organizações sociais e representantes da sociedade civil. Ao todo, mais de 30 propostas foram apresentadas durante o evento, todas com foco na ampliação e qualificação das políticas de Direitos Humanos.
A sugestão de implementar um banco de dados compartilhado entre as esferas de governo busca centralizar informações fundamentais das áreas de saúde, educação e assistência social. A medida pretende não apenas agilizar o atendimento à população, como também proporcionar maior integração entre os serviços, assegurando mais efetividade às ações intersetoriais.
Sob o tema “Por um Sistema Nacional de Direitos Humanos: consolidar a democracia, resistir aos retrocessos e avançar na garantia de direitos a todas as pessoas”, a conferência elegeu 24 delegados para representar o município na próxima fase estadual, sendo 19 deles ligados ao Poder Executivo. A proposta central do encontro foi fomentar o debate, estimular a participação social e construir soluções para o enfrentamento das violações de direitos e a promoção da cidadania.
Diálogo, união e compromisso
Durante a programação, autoridades ressaltaram a relevância do debate sobre direitos humanos no atual cenário. A superintendente de Direitos Humanos da SAS, Priscilla Justi, sublinhou a conexão dessa pauta com todas as áreas da administração pública.
“Falar de direitos humanos é falar do que dá sentido ao nosso trabalho, do cuidado, do respeito e da dignidade. Essa política conecta todas as áreas, como saúde, educação, cultura e segurança, e é fundamental para que as outras políticas tenham mais sentido”, afirmou.
O secretário estadual de Políticas de Direitos Humanos, Bem-Hur Ferreira, enfatizou a importância de reconhecer a trajetória de lideranças históricas que lutam pela causa no Mato Grosso do Sul, especialmente dos quilombolas.
“Não posso deixar de ressaltar o trabalho de pessoas que ao longo dos anos batalham pelos Direitos Humanos no Estado e lutam para garantir mais recursos para realizar eventos como esse. É um tema muito importante que a sociedade precisa se envolver mais para que as políticas avancem”, declarou.
Também presente no evento, a secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, reforçou a necessidade de maior engajamento popular.
“Precisamos estar próximos, trabalhar juntos e passar essa energia de solidariedade. Quando unimos forças, conseguimos resultados mais efetivos na luta por direitos iguais e justiça social”, afirmou.
Cultura e reflexão no centro do debate
Além das discussões técnicas e da construção de propostas, a conferência também abriu espaço para manifestações artísticas que celebraram a herança afrodescendente do Estado. A programação incluiu apresentações culturais e uma palestra magna conduzida pelo professor e doutor em Antropologia, Diógenes Egídio Cariaga.
Na conferência, Cariaga contextualizou historicamente a evolução das políticas públicas voltadas aos Direitos Humanos no Brasil. Em sua fala, destacou a função central da Educação como instrumento para o avanço das ações institucionais e para a conscientização social a respeito dos direitos fundamentais.




