Com um bebê no sling, duas crianças e a avó de 70 anos, a merendeira Melissa Lima dos Santos, de 26, ficou mais de três horas no Aeroporto Internacional de Campo Grande esperando um voo para ir até Curitiba (PR). Com o cancelamento dele e a impossibilidade de reagendar para a próxima quarta-feira, dia 11, ela aceitou o perrengue de ir de ônibus hoje (5) e pegar mais de 15 horas de viagem na estrada. 

É que o compromisso que ela e a família têm é inadiável. "Vamos comemorar as bodas de ouro do casamento de uma tia-avó", contou. A Azul, companhia aérea que fretaria o voo, prometeu reembolsar todos os gastos com alimentação na estrada, segundo a merendeira.

O motivo do cancelamento e de outros, que começaram na noite de ontem (4), são as tempestades que atingem a capital paranaense. Por causa disso, tem passageiro que chegou a esperar mais tempo ainda no Aeroporto de Campo Grande, na esperança de ser remanejado para outro voo.

O dia 11, feriado que marca a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, foi a opção de data mais próxima oferecida pela empresa à Melissa e família. Outra alternativa seria o reembolso das passagens. 

"Pior experiência" - O diretor de T.I Thiago Mallard Scaldaferri, 41, mora em Curitiba e trabalha para uma empresa de Campo Grande. Ele chegou para o embarque às 18h de ontem e, ainda no aeroporto nesta manhã, reclamou do "reagenda-cancela-reagenda" que deixou exaustos muitos passageiros.

"É um voo que eu pego com bastante frequência. Hoje foi absolutamente a pior experiência que eu já tive, e olha que já perdi muito voo", relata. O dele sairia às 19h55 de Campo Grande, foi cancelado, e depois remarcado para 2h30. Novamente cancelado, o reagendamento foi feito para as 4h30, mas também sem decolar. 

Ele também se queixa da diversidade de problemas relatados pelos funcionários da companhia, que acabaram por protelar a decisão final sobre o que seria feito diante do mau tempo em Curitiba. 

Primeiro, foi que o voo estava sobrecarregado. Depois, que não tinha aeronave. A última justificativa era que o avião estava em manutenção. "A equipe que já estava dentro da aeronave simplesmente saiu e falou: 'olha cara, está tudo cancelado', a opção é ônibus", conta Thiago.

O diretor de T.I não aprovou a forma como a Azul procedeu. "Eles estão tentando fazer o melhor deles, mas absolutamente inadmissível essa situação como um todo. É bem desgastante ficar 15 horas, 16 horas dentro do aeroporto, com protelamentos, te mandando para vários outros voos e acontecendo essa situação", disse.

A médica Daniela Fernandes, 25, mora em Curitiba. Veio para Dourados para participar de uma solenidade com a irmã. Nunca esteve em Campo Grande antes. Ela discorda de Thiago e acha que a Azul não fez o melhor que poderia para evitar o desgaste dos clientes. 

"No final, não tinha ninguém, ninguém sabia de nada. Ficaram enrolando, enrolando, enrolando. Foram mudando os horários dos voos, tentando encaixar pessoas. O 'povo' falou assim: 'não tem mais voo, vai ser só pra daqui uma semana'. E quem trabalha, quem faz outras coisas em outros lugares, faz o quê?", disse Daniela.

A companhia - A reportagem tentou obter informações com a Azul sobre a quantidade de passageiros que tiveram prejuízo com o cancelamento de voos e questionou sobre a confusão com os remanejamentos e cancelamentos subsequentes.

A equipe da companhia no aeroporto de Campo Grande não se manifestou. Em contato com a assessoria de imprensa, o Campo Grande News ainda não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

Crédito: Campo Grande News por Cassia Modena e Idaicy Solano