O aparecimento de escorpiões na Capital preocupa moradores da região do Anhanduizinho, localidade mais afetada pelo problema. Ao todo, foram 519 casos de incidentes com o animal registrados pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), de janeiro a novembro.
O número corresponde a 33% dos 1.457 casos contabilizados em todas as sete regiões da cidade. Em 2022 o índice ficou em 1.209, registrados de janeiro a dezembro. O aumento é de 20% quando comparado a 2023 e pode ser ainda maior, visto que os dados não abrangem o último mês do ano.
A região do anhanduizinho tem 214 mil habitantes e é formada por 14 grandes bairros: Aero Rancho, Parati, Pioneiros, Alves Pereira, Centenário, Lageado, Los Angeles, Centro-Oeste, Guanandi, Piratininga, Jacy, América, Jockey Club e Taquarussu.
Felicia dos Santos Araújo, de 69 anos, mora na Rua Galeão, no bairro Aero Rancho há 4 anos e já encontrou ao menos quatro escorpiões este ano. O transtorno tem causado episódios de ansiedade noturna, já que o bicho foi encontrado no quarto da cozinheira. Ela mora com o filho de 23 anos, que também já encontrou escorpião atrás do sanitário do banheiro.
“Estava deitada na cama quando senti alguma coisa andando no braço, assustei, achei que era barata e bati com a mão. Nessa hora acendi a luz do quarto e vi ele correndo pra trás da cama. Assustei, peguei o inseticida e um rolo de pão e começou a bater nele”.
À reportagem ela conta que por conta disso não consegue dormir direito com receio de que o animal esteja na coberta. Como medida de segurança, Felícia tem dormido de luz acesa, trocou os lençóis de cama por brancos e fecha todos os ralos da casa. Além de tentar manter a casa o mais limpa possível.
“Eu notei que começou a aparecer escorpião aqui depois que coloquei esgoto, parece que a morada dele é por dentro do cano e ele sai e surge dentro de casa”.
“Nunca tinha aparecido, mas quando fiz conexão com rede de esgoto há dois anos, foi aí que começou a surgir, foram mais de 30 e todos eles saiam dos ralos. Minha nora estava deitada no sofá quando o escorpião picou a perna dela. Ele precisou ser hospitalizado mas nada grave”.
Para tentar evitar o aparecimento, ela joga água sanitária nos ralos todos os dias. “Inclusive várias vezes enquanto fazia isso o escorpião saiu. Mantenho eles fechados e não deixo cortina ou cobertor encostados no chão também”.
A idosa mora com dois netos, um de sete e outro de três anos, e teme que eles sejam picados. “Eu tenho medo, tenho muito medo. Já aviso minha família toda: cuida das crianças, bate o calçado, não busca o calçado sem bater, sacode a roupa onde está, não deixa jogado”.
Outros relatos - Em outro ponto da cidade, a região central, bairro São Francisco, Rua 14 de julho, condôminos vivem com o aparecimento de escorpiões nos blocos há meses. Rafaela Theodoro, 36 anos, já encontrou dois nos corredores, em menos de duas semanas. Ela acredita que a dedetização do imóvel será uma das soluções para tentar resolver o problema.
“Esse ano tá bem atípico, tem quase dez anos que moro aqui, e foi a primeira vez que encontrei escorpião em casa.Aí comprei um ralo que fecha pro banheiro. Mas apliquei um veneno pro banheiro. E pelo visto vou ter que mandar dedetizar aqui pra garantir”.
Julliete Oliveira, também mora no condomínio há 4 anos e chegou a encontrar três no banheiro do apartamento. “Sexta feira tinha outro. Acredito que veio pelo ralo da pia que acabei esquecendo de vedar após o uso. Este foi o primeiro ano que vi e acredito que seja o calor e as chuvas”.
Cenário - Desde agosto a SES (Secretaria de Estado de Saúde), por meio do Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) alerta sobre os riscos de acidentes com a espécie e atribuiu o incidente ao aumento de temperatura e período de reprodução dos escorpiões. Entre janeiro e outubro, Mato Grosso do Sul registrou 3.623 ataques de escorpiões, sendo 311 no último mês.
Prevenção - Especialistas orientam inspecionar roupas, calçados, roupas de cama, panos de chão e tapetes antes de usá-los; afastar camas e berços das paredes e evite pendurar roupas fora dos armários. Também é necessário não deixar que lençóis ou cobertores sobre as camas ou berços encostem no chão, nivelar as frestas das calçadas, pisos, paredes e portas e colocar uma barreira de proteção na parte inferior das portas.
Crédito: Campo Grande News por Natália Olliver e Antonio Bispo




