A Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SAS) de Campo Grande terá participação inédita em um encontro internacional que discute políticas voltadas à população em situação de rua. O “Seminário Internacional Pessoas em Situação de Rua: cuidado integral e direitos já!” será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, na Fiocruz Brasília (DF), reunindo especialistas do Brasil e do exterior para debater justiça social, redes de apoio e estratégias intersetoriais de cuidado.

Os projetos selecionados para a apresentação foram desenvolvidos por equipes da Superintendência de Proteção Social Especial, da Superintendência de Política de Direitos Humanos, do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) e da Gerência de Proteção Social. Eles se destacaram entre dezenas de iniciativas inscritas em todo o país.

As experiências escolhidas são: “Desocupar sem excluir: experiência do Seas na garantia de direito”, “Inverno Acolhedor” e a criação da gerência voltada à articulação intersetorial na proteção à população em situação de rua. Para a secretária Camilla Nascimento, a aprovação simboliza um avanço importante. “A seleção dos projetos mostra o compromisso da SAS com políticas públicas humanizadas e eficazes, voltadas à garantia de direitos dessa população”, afirmou.

Inverno Acolhedor: acolhimento e dignidade

Idealizado pela Superintendência de Política de Direitos Humanos, o programa oferece assistência emergencial em noites de frio intenso, quando as temperaturas caem a 12ºC ou menos. Montado no Parque Ayrton Senna, já funcionou em oito frentes frias, oferecendo abrigo, refeições, roupas, atendimento em saúde e até espaço para animais de estimação.

A ação mobiliza diversas pastas municipais, como EMHA, Funsat e Guarda Civil Metropolitana, além de receber apoio da sociedade civil com doações de roupas e alimentos. Essa integração transformou o projeto em uma rede coletiva de solidariedade.

Nova gerência de proteção social

Implantada em abril, a Gerência de Proteção Social à População em Situação de Rua busca articular os serviços da assistência, como o Centro POP e o Seas. Entre as mudanças estão protocolos unificados e a criação de uma central de vagas, que facilita o acesso ao atendimento e garante maior transparência. O projeto foi assinado pela secretária Camilla Nascimento, pela superintendente Tereza Cristina Bauermeister e outros cinco profissionais da SAS.

Ação do Seas: desocupação humanizada

Outro caso de destaque foi a intervenção do Seas em um imóvel abandonado no centro da capital, ocupado irregularmente por seis famílias migrantes. A abordagem, baseada no diálogo e na articulação com órgãos como EMHA e Cadastro Único, assegurou a saída pacífica e a inclusão da maioria das famílias no programa de Aluguel Social, acompanhadas por equipes socioassistenciais. “A atuação do Seas vai além da remoção, transformando contextos de exclusão em oportunidades de proteção social”, explicou Thiago de Brito Ribeiro, gerente da área.

A superintendente de Política de Direitos Humanos da SAS, Priscila Justti, avalia que o reconhecimento amplia o protagonismo da capital. “Com essa participação, Campo Grande se consolida na linha de frente do debate sobre direitos, justiça social e inovação em políticas públicas para pessoas em situação de rua”, afirmou.

A assistente social Erika Mattos também celebrou a conquista. “Ter esses três trabalhos aprovados no Seminário Internacional é um marco histórico para Campo Grande. Além de gerar visibilidade e potencial investimento, mostra que a gestão pensa estrategicamente em serviços qualificados para essa população”, destacou.

Promovido pelo coletivo Trilhas de Cuidado nas Ruas, o evento conta com apoio da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).