Para reforçar a segurança e minimizar o risco de novos incêndios, o Camelódromo de Campo Grande passará por uma ampla reestruturação em sua rede elétrica. O projeto prevê um investimento de R$ 2,1 milhões e será executado pela Prefeitura, com apoio da Associação dos Vendedores Ambulantes do local.

Com 474 boxes em funcionamento e 26 anos de atividade, o centro comercial enfrenta sérios problemas na parte elétrica. Toda a estrutura depende de um único ponto de entrada de energia, o que sobrecarrega o sistema e aumenta o risco de acidentes.

Segundo Narciso Soares dos Santos, presidente da associação dos comerciantes, a atual configuração elétrica representa um risco constante. "O risco de incêndio no Camelódromo é grande, porque, quando é necessário algum tipo de manutenção nos boxes na madrugada, o segurança liga a energia e toda a quadra é energizada. Se alguém deixou um aparelho ligado, como ventilador, por exemplo, cria-se um risco de incêndio", relatou.

A reforma promete solucionar esse cenário: com a instalação de novos pontos de entrada de energia e a redistribuição da fiação, o fornecimento será individualizado por box. A expectativa é de que, além de evitar sobrecargas, a medida traga mais economia no consumo de energia e amplie a segurança dos trabalhadores e visitantes.

“Essa revitalização vai trazer economia de energia, porque, atualmente, o quadro de energia do Camelódromo é superaquecido. Só tem uma entrada de energia para todo esse prédio, e isso causa superaquecimento. Com a criação de novas entradas de energia, a fiação vai ser distribuída de uma maneira melhor”, explicou Narciso.

A previsão é que o processo licitatório seja aberto até o fim deste mês. A obra será viabilizada com R$ 700 mil provenientes de emenda parlamentar da senadora Tereza Cristina (PP), conquistada pela associação dos vendedores, enquanto os R$ 1,4 milhão restantes virão dos cofres da Prefeitura.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para confirmar os detalhes do investimento e aguarda resposta oficial sobre o início das obras.

Expectativa dos comerciantes

Para os trabalhadores que convivem diariamente com os problemas estruturais, a reforma chega como uma solução aguardada há anos. Margareth da Costa, de 42 anos, trabalha no local desde sua fundação e destaca os riscos enfrentados principalmente nos dias de calor intenso. "Nesse período de muito calor, é perigoso ocorrer algum incêndio, porque há muitos eletrônicos ligados. Por isso, são necessárias reformas na parte elétrica, pois os fios estão bem expostos", alertou.

A comerciante Ana Carolina Vieira Leite, de 35 anos, também destaca os prejuízos causados por falhas anteriores. "Aqui já teve duas questões de incêndio, que prejudicaram muita gente. Então, com a parte elétrica 100% resolvida, vai melhorar para a gente futuramente, porque, se der problema, na hora será resolvido. Ter uma estrutura elétrica melhor será mais seguro", afirmou.

Já Alan Cardoso, 55 anos, lembra que o centro comercial passou a adotar medidas de prevenção, mas reconhece que a fiação antiga ainda representa um perigo. "Todo ano estamos fazendo um curso de brigada de incêndio para aprender a lidar com os extintores. Foi colocado também um sistema de sensores no teto para jorrar água quando acontece um princípio de incêndio", disse.

Incêndios anteriores acenderam alerta

Os riscos relatados pelos comerciantes têm antecedentes. Em fevereiro de 2024, um incêndio ocorrido durante o domingo de Carnaval destruiu seis boxes localizados em dois corredores do centro. Na ocasião, dois seguranças estavam no local, mas não conseguiram conter as chamas com extintores.

Os prejuízos incluíram boxes de roupas, brinquedos e assistência técnica de celulares.

Outro incidente aconteceu em novembro de 2009, quando, por volta das 6h da manhã, um curto-circuito causou um incêndio que destruiu três lojas de roupas e bolsas. Como o local ainda estava fechado, não havia ninguém no prédio.

Com a nova reforma, comerciantes esperam que eventos como esses fiquem no passado.