Mesmo com sucessivas denúncias de má prestação de serviço — ônibus sucateados, atrasos nas linhas e reclamações constantes da população —, o Consórcio Guaicurus ingressou na Justiça com um pedido de compensação que beira R$ 1,4 bilhão. A solicitação, no valor exato de R$ 1.396.956.647,73, é justificada pelos empresários como uma forma de reequilibrar o contrato de concessão do transporte público de Campo Grande.
A petição foi assinada pela equipe jurídica do consórcio, liderada pelo desembargador aposentado Claudionor Miguel Abss Duarte, que atua em parceria com o procurador da Câmara Municipal, Gustavo Lazzari — nomeado pelo presidente da Casa, Papy (PSDB).
No processo, os empresários alegam desequilíbrio econômico-financeiro e afirmam ter deixado de obter lucros esperados ao longo dos 13 anos de vigência do contrato, estimado em R$ 3,4 bilhões. Eles pedem, portanto, que o poder público repasse valores que consideram devidos, além dos cerca de R$ 64 milhões que já recebem anualmente em isenções e subsídios.
Um primeiro laudo técnico, elaborado pela Vinícius Coutinho Consultoria e Perícia, contradisse o argumento do consórcio. O documento apontou que a operação do transporte coletivo foi altamente lucrativa, com lucro líquido de R$ 68 milhões entre 2012 e 2019, além de um crescimento significativo no patrimônio das empresas envolvidas.
Inconformado com o resultado, o Consórcio Guaicurus contratou uma nova empresa, a IBS Perícias, pagando R$ 272 mil por outro estudo — elaborado com uma metodologia diferente. Esse novo laudo sustentou o valor bilionário de “compensação” agora reivindicado.
O documento entregue à Justiça alega que:
“Restou consignado à fl. 16901, que o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão perfaz, para a data de 31.12.24, o valor de R$ 566.917.272,19 (...) referente ao período de 2013/2019, e de R$ 830.039.375,54 (...) referente ao período de 2013/2024. Tem-se, assim, que o presente feito atingiu a sua finalidade, razão pela qual requer seja o laudo (...) homologado pelo juízo.”
A petição, que será analisada pela juíza Paulinne Simões de Souza, chega à Justiça em meio ao aumento da pressão popular pelo fim da concessão. Uma campanha com abaixo-assinado pede a rescisão do contrato bilionário firmado com o consórcio, sob o argumento de que o serviço prestado é precário e não atende às necessidades da população.




