O defensor público preso nessa terça-feira (14), após cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua casa, em Campo Grande, teve o sigilo telefônico quebrado pela Justiça. O defensor estava afastado de suas funções desde o dia 1º deste mês.

O pedido feito pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) foi deferido pela 2º Vara Criminal que autorizou a quebra do sigilo telefônico e de computadores apreendidos durante o cumprimento dos mandados pelos agentes.

Também foi deferido acesso às conversas em aplicativos de mensagens e armazenadas na ’nuvem’. Após o afastamento, o defensor público ficou proibido de manter contato com os demais acusados e investigados da Operação Courrier. 

O defensor também ficou proibido de ter acesso a órgãos públicos e a sistemas. O defensor era conhecido por ‘Mestre ‘ pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Na primeira vez que o Gaeco foi até a sua casa, no dia 1º deste mês, ele se recusou a fornecer o número de sua linha telefônica e disse que não sabia onde estava seu aparelho. 

Ainda durante as buscas, o defensor teria se negado a assinar o termo com material apreendido pelos agentes.

Prisão de defensor

O mandado foi expedido pela 2ª Vara Criminal e o defensor público preso quando saía de casa. Ele foi abordado em sua camionete Hilux. O advogado do defensor, Flávio de Oliveira Moraes, acompanhou todo o procedimento. 

O defensor público foi levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) e depois para o Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) para exames de corpo de delito.  

Operação Maître

A operação 'Maître' cumpriu ao todo quatro mandados de busca e apreensão, além de aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, no dia 1º de março, momento do afastamento do defensor público.

Nesta fase da operação, foram apurados crimes de associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e violação de sigilo funcional qualificada. Esses crimes são atribuídos a um advogado apontado como “gravata” do PCC (Primeiro Comando da Capital).

O advogado já está preso preventivamente. Também foram alvos da ação, no dia 1º de março, o defensor público e o ex-assessor, também advogado.

Nota da Defensoria

Em nota, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul afirma que espera receber as informações a respeito da operação: "A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul comunica que aguarda receber todas as informações a respeito da operação realizada nesta terça-feira (14).” 

Crédito: Midiamax por Thatiana Melo