O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (12) o projeto de lei que encerra oficialmente o shutdown do governo federal. Com a sanção, chega ao fim a mais longa paralisação da história do país, que já durava 43 dias e afetava milhões de servidores e serviços públicos em todo o território americano.

A decisão veio poucas horas depois de a Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, aprovar o texto por 222 votos a favor e 209 contra. Apenas dois parlamentares do partido de Trump — Thomas Massie, de Kentucky, e Greg Steube, da Flórida — votaram contra a proposta, enquanto seis democratas decidiram apoiá-la.

O Senado havia aprovado o mesmo projeto na segunda-feira (10), com o placar mínimo de 60 votos a 40. Logo após o resultado, a liderança republicana da Câmara convocou os deputados a retornarem de imediato a Washington, mesmo em meio a atrasos e cancelamentos de voos que afetaram o setor aéreo por falta de trabalhadores. Alguns legisladores relataram ter recorrido a caronas e viagens longas de carro ou motocicleta para chegar à capital.

Com o acordo firmado, o governo norte-americano poderá retomar suas atividades nos próximos dias, o que representa um alívio para os servidores sem pagamento e para famílias de baixa renda que dependem de programas de assistência. A normalização completa do sistema aéreo, no entanto, deve demorar um pouco mais.

O que foi decidido

O texto aprovado prorroga o financiamento do governo até 30 de janeiro de 2026, evitando um novo colapso orçamentário a curto prazo. Ele também impede que o presidente demita servidores até essa data e garante a continuidade do programa de assistência alimentar “SNAP” até 30 de setembro de 2026.

A proposta, porém, não encerrou todas as divergências no Congresso. O principal ponto de impasse foi a extensão dos programas de saúde pública. Os democratas se recusavam a aprovar o orçamento sem a inclusão desses benefícios, que atendem milhões de americanos. Já os republicanos resistiram à medida, mas prometeram retomar o debate em dezembro, em um projeto separado.

A ala mais progressista do Partido Democrata criticou o acordo, argumentando que os senadores cederam em uma negociação na qual tinham vantagem. O presidente da Câmara, Mike Johnson, ainda não confirmou se colocará a pauta da saúde em votação.

Clima político

A paralisação começou quando o Congresso não conseguiu aprovar o orçamento federal dentro do prazo legal, o que deixou o governo sem recursos para manter serviços e pagar funcionários. Segundo pesquisa da Ipsos divulgada pela Reuters no fim de outubro, 50% dos americanos atribuíram a responsabilidade pelo shutdown aos republicanos, enquanto 43% culparam os democratas.