O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou nesta sexta-feira (3) um ultimato ao Hamas: o grupo tem até as 19h de domingo (5), horário de Brasília, para aceitar seu plano de paz para Gaza. Caso contrário, o movimento terrorista enfrentará o que ele chamou de “inferno total”.
A proposta, divulgada na última segunda-feira (29), funciona como a “última chance” para encerrar o conflito na Faixa de Gaza. Israel já aceitou os termos. Segundo Trump, a iniciativa pode inclusive abrir caminho para o reconhecimento de um Estado palestino, embora os detalhes sobre isso ainda sejam vagos.
“Teremos paz no Oriente Médio de uma forma ou de outra. A violência e o derramamento de sangue cessarão. Libertem os reféns, todos eles – incluindo os corpos daqueles que estão mortos –, agora! Um acordo deve ser firmado com o Hamas até domingo à noite. Todos os países assinaram. Se este acordo, uma última chance, não for firmado, um inferno como ninguém jamais viu antes se abaterá sobre o Hamas”, disse Trump em publicação na rede Truth Social.
O presidente americano acrescentou que os combatentes palestinos estão “cercados e presos”, e que mais de 25 mil foram mortos desde o início da guerra em 2023. Também pediu que “palestinos inocentes” evacuem uma área não especificada, prevendo possíveis ataques às últimas posições do Hamas.
O que prevê o plano de paz
A proposta contém 20 pontos. Entre eles, a exigência de que Gaza se torne uma zona livre de grupos armados. Integrantes do Hamas poderiam receber anistia, desde que entreguem suas armas e se comprometam com a convivência pacífica.
Caso seja implementado, o território seria administrado por um comitê de transição formado por palestinos tecnocratas e especialistas internacionais, supervisionados por um novo órgão chamado “Conselho da Paz”, presidido por Trump. O Hamas e outras facções estariam excluídos do governo.
Além disso, Israel deveria libertar cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, enquanto a ONU e o Crescente Vermelho ficariam responsáveis pela distribuição de ajuda humanitária.
Em relação à segurança, o plano prevê desmilitarização total de Gaza e a criação de uma Força Internacional de Estabilização (ISF), encarregada de treinar a nova polícia palestina. Tropas israelenses deixariam gradualmente o território, mantendo um perímetro de segurança até a eliminação de riscos de novas ameaças.
Posição de Israel
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se reuniu com Trump e declarou apoio à proposta, ainda que com ressalvas.
“Isso trará de volta a Israel todos os reféns, desmantelará as capacidades militares do Hamas, encerrará seu domínio político e garantirá que Gaza nunca mais represente uma ameaça”, afirmou o premiê.
Netanyahu, no entanto, resiste à possibilidade de um futuro Estado palestino, ponto considerado essencial por parte da comunidade internacional. Internamente, ele também enfrenta pressões: famílias de reféns exigem respostas rápidas, enquanto setores de sua coalizão ameaçam derrubar o governo se considerarem que houve concessões demais.
Reação do Hamas
O Hamas informou à AFP que está avaliando a proposta, mas não estipulou prazo para responder. Uma fonte do grupo afirmou que as consultas envolvem líderes políticos e militares dentro e fora da Palestina e podem levar vários dias.
Apoio internacional e desconfiança local
O anúncio foi recebido de forma positiva por países árabes como Arábia Saudita, Egito, Catar, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, que se mostraram dispostos a cooperar com os Estados Unidos. Líderes da União Europeia também incentivaram a aceitação do acordo.
Já a Jihad Islâmica Palestina rejeitou a proposta, classificando-a como uma “receita para explodir a região”.
Na Faixa de Gaza, o clima é de descrença. Muitos moradores dizem duvidar que o Hamas aceite os termos e temem que o plano não garanta, de fato, o fim do conflito. “Como povo, não aceitaremos essa farsa. Seja qual for a decisão do Hamas agora sobre o acordo, já é tarde demais”, declarou Abu Mazen Nassar à AFP.
Diferenças em relação ao acordo de janeiro
Em janeiro, Israel e Hamas chegaram a firmar um cessar-fogo, mas o pacto durou poucas semanas. Na ocasião, a libertação dos reféns seria feita em etapas, e a governança de Gaza só seria discutida após o cessar-fogo.
Agora, a proposta determina a libertação imediata de todos os reféns e estabelece desde já a retirada do Hamas do poder, com a criação de um governo de transição sob supervisão internacional.




