A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa em Roma desde julho, voltou a comparecer nesta quarta-feira (27) a uma audiência em um tribunal italiano. Os magistrados informaram que precisam de mais tempo para decidir se ela poderá aguardar em liberdade o julgamento do processo de extradição solicitado pelo Brasil.

Por ora, Zambelli seguirá detida. Ela é considerada foragida pela Justiça brasileira, já que foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

De acordo com a defesa, os juízes indicaram que a decisão sobre o pedido de soltura deve sair em até 48 horas após o término da sessão. A Justiça italiana, entretanto, não confirmou oficialmente esse prazo, mas admitiu que uma nova deliberação poderia ser publicada ainda nesta quarta-feira.

Defesa alega problemas de saúde

Os advogados insistem que a parlamentar necessita de cuidados médicos. “Nós da defesa estamos muito otimistas, já que ela não representa nenhum risco de fuga, além de toda a parte médica, que ela necessita uma atenção especial”, declarou Fabio Pagnozzi, que atua na defesa de Zambelli.

Eles ainda destacam que foi protocolado um pedido paralelo de soltura, sob o argumento de que o governo brasileiro não apresentou uma solicitação formal de prisão preventiva. Na saída da audiência, afirmaram acreditar que a deputada poderá ser liberada “a qualquer momento”.

A Corte Suprema italiana, no entanto, já ressaltou que ordens incluídas na lista vermelha da Interpol, como é o caso da parlamentar, equivalem a mandados de prisão internacional. O Tratado de Extradição entre Brasil e Itália, em seu artigo 13.2, também reconhece essa equivalência, autorizando a aplicação de medidas cautelares.

Histórico do caso

Dias após a condenação pelo STF, Zambelli deixou o Brasil e informou estar na Itália. O ministro Alexandre de Moraes, então, expediu um mandado de prisão, cumprido em Roma no fim de julho.

Duas semanas atrás, a deputada deveria ter comparecido ao mesmo tribunal, mas a sessão foi adiada porque ela alegou estar passando mal. A juíza responsável solicitou uma avaliação médica, feita tanto por um perito da defesa quanto por outro designado pelo governo brasileiro. Ambos concluíram que a deputada tinha condições de permanecer detida, apesar de apresentar quadro de depressão.

Atuação nas redes sociais

Mesmo considerada foragida, Zambelli continuou ativa no meio digital por meio de um perfil alternativo no Instagram. O primeiro post na nova conta foi publicado em 13 de junho, dez dias após o ministro Alexandre de Moraes determinar a retirada do ar de suas páginas oficiais.

Criada em maio de 2025, a conta acumula cerca de 4,6 mil seguidores e tem sido usada para comentar política nacional e criticar decisões do STF. O último registro na página ocorreu em 28 de julho.