A Serget Mobilidade Viária, vencedora da licitação realizada pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), será a nova responsável pelos radares e pela fiscalização eletrônica em Campo Grande. O contrato deve ser assinado em até 15 dias, conforme previsto no edital, já que não houve recursos por parte das concorrentes.

A proposta da empresa paulista foi de R$ 47,9 milhões — quase R$ 3 milhões a menos do que o valor máximo estipulado pelo processo, de R$ 50,2 milhões. Apesar de não ter firmado contratos anteriores com o governo estadual ou com a Prefeitura da Capital, a Serget já atua em Mato Grosso do Sul por meio de um escritório em Anastácio e é responsável por serviços em duas rodovias federais, a BR-262 e a BR-419. Nesse caso, o contrato com o Ministério dos Transportes, firmado em 2023 e válido até 2026, prevê a “implantação e manutenção de dispositivos de segurança e de sinalização rodoviária”.

Em Campo Grande, a empresa ficará encarregada da “instalação, monitoramento e manutenção dos equipamentos registradores de infrações, incluindo o fornecimento de plataforma de gestão de dados, central de monitoramento, sistema de análise e inteligência de imagens veiculares e o sistema de processamento de imagens e infrações de trânsito”.

Além dos tradicionais equipamentos de fiscalização, o contrato prevê a ampliação significativa das câmeras de monitoramento. Atualmente, a Capital possui 20 câmeras do tipo pan-tilt-zoom (PTZ), instaladas em pontos estratégicos como a rotatória da Avenida Tamandaré com a Avenida Dom Antônio Barbosa e a Rua Dr. Euler de Azevedo, além do cruzamento da Avenida Manoel da Costa Lima com a Avenida das Bandeiras. Agora, esse número será multiplicado por quatro, chegando a 85 dispositivos.

Segundo o edital, estão sugeridos 65 novos locais para a instalação. As câmeras PTZ permitem giro de 360° na horizontal e 180° na vertical, produzem imagens em alta definição e contam com memória de 512 MB RAM e 128 MB flash. O sistema funcionará 24 horas por dia, transformando o monitoramento urbano em um verdadeiro “Big Brother” do trânsito.

Também estão incluídas na licitação a instalação e a manutenção de lombadas eletrônicas, radares fixos em mais de 350 faixas de rolamento e três equipamentos móveis para fiscalização de velocidade.

Testes antes da escolha

Antes da definição da vencedora, a Prefeitura exigiu testes em seis pontos diferentes da cidade, realizados no dia 6. Os equipamentos foram aprovados pela equipe técnica da administração após flagrarem diversas irregularidades.

Logo no primeiro minuto de funcionamento, um motociclista foi registrado avançando o sinal vermelho. Em apenas 60 segundos, por volta das 6h55, o radar na Avenida Afonso Pena captou duas infrações distintas: uma conversão proibida e uma parada irregular sobre a faixa de pedestres. Antes mesmo de completar as 24 horas de avaliação, o dispositivo ainda registrou veículos transitando em alta velocidade no período noturno.

Os testes ocorreram em locais como a Avenida Júlio de Castilho, Avenida Duque de Caxias, Avenida Gury Marques e na própria sede da Agetran.

Encerramento de contrato antigo

Com a conclusão da licitação, chega ao fim o vínculo da Prefeitura com o Consórcio Cidade Morena, firmado em agosto de 2018. Ao longo de sua vigência, o contrato passou por sete aditivos, somando R$ 54,8 milhões.

Embora o prazo oficial tenha expirado em setembro de 2023, o consórcio seguiu operando os radares na cidade. Isso resultou em uma ação popular que pede a anulação de aproximadamente 320 mil multas aplicadas após o término da vigência contratual.