Rouquidão, dor de garganta, feridas na boca e dificuldade para engolir são sintomas que podem estar relacionados a quadros simples, como infecções, irritações ou inflamações passageiras. No entanto, quando esses sinais persistem por semanas — especialmente quando associados a nódulos no pescoço, sangramentos sem causa aparente ou alterações na sensibilidade da face e da boca — é fundamental procurar avaliação médica ou odontológica.

O alerta faz parte da campanha Julho Verde, dedicada à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, grupo de tumores que pode acometer diferentes regiões, como boca, língua, lábios, garganta, faringe e laringe. O objetivo da campanha não é causar alarme diante de sintomas isolados, mas reforçar que alterações persistentes devem ser investigadas para possibilitar o diagnóstico precoce e aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que acometem a cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal e glândula tireoide. Feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, sangramentos sem motivo aparente, nódulos no pescoço, dor de garganta persistente, dificuldade para engolir, mudanças na voz e rouquidão estão entre os principais sinais de alerta que devem ser avaliados por profissionais de saúde.

O oncologista Dr. Amauri de Oliveira, do Hospital do Coração MS, explica que esses tumores recebem essa denominação porque se originam em estruturas localizadas na região da cabeça e do pescoço, principalmente garganta, língua, boca, lábios, laringe e faringe.

"Os principais sintomas dos tumores de cabeça e pescoço, principalmente quando já estão em estágio mais avançado, podem incluir rouquidão, dificuldade para deglutir, dor, feridas na boca e, em alguns casos, parestesia, quando há comprometimento de nervos", afirma o médico.

Apesar disso, o especialista ressalta que esses sintomas não devem ser interpretados de forma isolada. Rouquidão e dor, por exemplo, também podem ocorrer em processos infecciosos ou inflamatórios. O principal sinal de alerta é a persistência das manifestações por mais de 30 dias, situação que exige investigação médica.

Diagnóstico precoce favorece tratamentos menos agressivos

A detecção precoce é um dos principais fatores para melhorar o prognóstico dos pacientes. De acordo com o INCA, as chances de controle da doença e de sobrevida estão diretamente relacionadas ao estágio em que o tumor é diagnosticado e tratado. Quando identificado precocemente, o tratamento tende a ser menos agressivo, com menor impacto funcional e estético, preservando a qualidade de vida.

"A principal forma de alcançar a cura de um tumor de cabeça e pescoço é por meio do diagnóstico precoce. Quando o diagnóstico ocorre tardiamente, normalmente são necessários tratamentos mais agressivos, como radioterapia, quimioterapia e imunoterapia", explica o Dr. Amauri.

Um dos desafios é que os sintomas costumam ser confundidos com alterações rotineiras, especialmente entre pessoas expostas aos principais fatores de risco. Segundo o médico, fumantes e pessoas que consomem bebidas alcoólicas com frequência podem acabar normalizando sinais como rouquidão constante, irritações na boca ou lesões nos lábios e na língua, retardando a procura por atendimento especializado.

Tabagismo, álcool e HPV estão entre os principais fatores de risco

Entre os principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV. O INCA também destaca a exposição solar sem proteção, especialmente relacionada ao câncer de lábio, além da obesidade e de uma alimentação pobre em vitaminas, proteínas, frutas, legumes e verduras.

Segundo o Dr. Amauri, nos pacientes mais velhos, o cigarro e o álcool continuam sendo os fatores de risco mais importantes. Já entre os mais jovens, a infecção pelo HPV tem ganhado cada vez mais relevância.

"Nos pacientes mais velhos, os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Nos jovens, atualmente, um dos maiores fatores de risco é o HPV."

O médico explica que a relação entre o HPV e alguns tumores de cabeça e pescoço ocorre de forma semelhante ao câncer do colo do útero.

"O vírus HPV provoca mutações nas células da mucosa, que são células epiteliais. Essas alterações podem evoluir para um câncer", esclarece.

Estimativas apontam novos casos no Brasil e em Mato Grosso do Sul

As projeções mais recentes do INCA, divulgadas na publicação Estimativa 2026 – Incidência de Câncer no Brasil, apontam cerca de 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral por ano no país durante o triênio 2026–2028. Desse total, são estimados 12.260 casos em homens e 4.930 em mulheres.

Em Mato Grosso do Sul, o INCA estima 230 novos casos de câncer de cavidade oral e 140 novos casos de câncer de laringe em 2026. As estimativas representam projeções oficiais e não correspondem ao número definitivo de diagnósticos, que depende da consolidação e atualização dos registros oficiais.

Além da incidência, a descoberta tardia da doença continua sendo uma preocupação. Pesquisa divulgada pelo INCA em 2025, baseada na análise de mais de 145 mil casos, revelou que 78,2% dos tumores de cabeça e pescoço foram diagnosticados nos estágios III ou IV. Os maiores percentuais de doença avançada foram observados nos tumores de hipofaringe, orofaringe, cavidade oral e laringe.

Avaliação clínica e exames confirmam o diagnóstico

Quando existe suspeita de câncer de cabeça e pescoço, a investigação começa com uma avaliação clínica detalhada, incluindo exame físico, palpação da região cervical e análise da cavidade oral. Dependendo do caso, o paciente pode ser encaminhado ao cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista ou otorrinolaringologista.

Segundo o Dr. Amauri, a confirmação diagnóstica pode envolver diferentes exames.

"A investigação é feita por meio de exame clínico, palpação e avaliação da cavidade oral. Também pode incluir exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética da cabeça e do pescoço, nasofibrolaringoscopia e, naturalmente, biópsia."

As opções de tratamento variam conforme o tipo de tumor, sua localização, tamanho e estágio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou terapias combinadas.

Serviço

O Hospital do Coração MS conta com estrutura completa para avaliação, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com suspeita ou confirmação de câncer. A unidade dispõe de centro cirúrgico, tecnologia especializada e equipe multiprofissional preparada para oferecer assistência integral aos pacientes oncológicos.

SERVIÇO – GRUPO SANTA (UNIDADE MATO GROSSO DO SUL)

Hospital do Coração MS

Endereço: Rua Marechal Rondon, 1.703 – Centro – Campo Grande/MS

Telefones: (67) 3323-9119 | (67) 3323-9150

Sobre o Grupo Santa

Fundado em 1963, o Grupo Santa nasceu da união de médicos visionários que idealizaram o primeiro hospital privado de Brasília. Desde então, consolidou-se como referência em atendimento de alta complexidade e tornou-se o maior conglomerado hospitalar privado do Centro-Oeste.

Atualmente, reúne 12 unidades de saúde, entre hospitais gerais e centros especializados, distribuídas pelo Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As unidades atuam em diversas frentes assistenciais, com destaque para atendimento hospitalar de alta complexidade, diagnóstico por imagem e atenção multiprofissional integrada.

A qualidade e a inovação são pilares estratégicos do Grupo, reconhecido por acreditações nacionais e internacionais, como a ONA (Organização Nacional de Acreditação) e a certificação QMentum Diamante, que atestam elevados padrões de segurança, gestão e qualidade assistencial.

Em 2023, o Grupo Santa deu mais um importante passo em sua trajetória ao anunciar uma parceria estratégica com a Atlântica Hospitais, que adquiriu 20% de participação na instituição. A iniciativa fortaleceu a governança corporativa e ampliou a capacidade de investimentos, preparando a rede para um novo ciclo de expansão, modernização e inovação na assistência à saúde.