Mato Grosso do Sul vacinou, até o momento, 958.852 pessoas contra a gripe, o que representa uma cobertura de 50,82% entre os grupos prioritários. Embora o número represente um avanço desde abril — quando a cobertura era de apenas 22,35% — o Estado ainda precisa ampliar a adesão para atingir a meta de 90% estipulada pelo Ministério da Saúde.
A melhora nos índices ocorreu após o lançamento de um plano emergencial de vacinação, que resultou na aplicação de 77.774 doses adicionais. A campanha foi intensificada especialmente diante do surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que levou Campo Grande a decretar emergência em saúde pública no fim de abril.
Com o agravamento do cenário, o governo estadual destinou R$ 825 mil para reforçar a campanha entre os dias 28 de abril e 10 de maio. Deste total, a Capital recebeu R$ 140 mil, enquanto os municípios do interior receberam entre R$ 10 mil e R$ 25 mil.
Durante o período de reforço da imunização, os idosos foram o grupo que mais recebeu a vacina: 45.466 doses foram aplicadas em pessoas com mais de 60 anos. Em seguida, aparecem as crianças de 6 meses a 6 anos, com 26.895 imunizados, e as gestantes, com 5.413 doses. Apesar da liberação para todos os públicos, esses três grupos seguem como prioritários por estarem mais vulneráveis às formas graves da doença.
Além da campanha convencional, as ações emergenciais contaram com o apoio de 631 instituições, incluindo escolas, creches e asilos. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), foram contempladas 114 Instituições de Longa Permanência para Idosos, 218 Ceinfs (Centros de Educação Infantil) e 299 Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil).
“Nosso objetivo agora é, seguindo orientação do Ministério da Saúde, manter esse ritmo e alcançar 90% de cobertura entre os grupos prioritários”, afirmou o gerente de Imunização da SES, Frederico Moraes.
Capital tem um dos melhores índices entre as capitais
Em Campo Grande, a vacinação contra a Influenza também registra 50,9% de cobertura — praticamente o mesmo índice estadual. Com esse resultado, a cidade ocupa a 6ª posição entre as capitais brasileiras com maior adesão à vacina. Segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), 327.435 pessoas já foram imunizadas na Capital.
Entretanto, o avanço tem sido lento. Conforme levantamento do Jornal Midiamax, a cidade precisou de 1 mês e 20 dias para aumentar em apenas 5% a cobertura, passando de 45% (em 5 de junho) para os atuais 50,9%. Isso representa cerca de 22 mil pessoas vacinadas no período. A baixa procura ainda é motivo de preocupação para a saúde municipal.
Casos de SRAG diminuem, mas números ainda são altos
Apesar da intensificação das ações, os casos de SRAG seguem elevados. Em 2025, Campo Grande já registrou 2.294 casos da síndrome. A maioria dos pacientes — mais de 80% — recebeu alta hospitalar. No entanto, 191 pessoas não resistiram à doença na Capital.
Em nível estadual, os dados da SES indicam 7.037 casos e 587 mortes por SRAG ao longo deste ano. Apesar da gravidade, o número de óbitos vem apresentando queda, reflexo da vacinação e das medidas de contenção.
O levantamento mensal mostra essa redução:
Março: 61 mortes
Abril: 172 mortes
Maio: 169 mortes
Junho: 81 mortes
Julho (até o dia 29): 26 mortes
As notificações de novos casos também têm diminuído. Na última semana epidemiológica, foram registrados 132 casos, 124 a menos do que na semana anterior (semana 28). As crianças de 0 a 9 anos representam o maior percentual entre os casos notificados em 2025, somando 52,33% das confirmações no Estado.
Sobre a vacina
Distribuída gratuitamente na rede pública, a vacina contra a gripe é trivalente e produzida pelo Instituto Butantan. A formulação é atualizada anualmente com base nas cepas mais comuns em circulação, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste ano, o imunizante protege contra os vírus Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B (linhagem B/Victoria).
Diante do agravamento da situação, a Prefeitura de Campo Grande decretou, em 30 de abril, estado de emergência em saúde pública. A sobrecarga nos serviços de saúde e a alta demanda por internações hospitalares motivaram a ampliação do público-alvo para a vacinação — uma tentativa de frear o avanço dos casos graves de doenças respiratórias.




