Campo Grande (MS), julho de 2026 – As hepatites virais podem permanecer por anos sem provocar sintomas aparentes e, ainda assim, causar danos progressivos ao fígado. Durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção e o controle dessas infecções, especialistas reforçam a importância da testagem, da vacinação e do acompanhamento médico para evitar complicações como fibrose, cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 826.292 casos confirmados entre 2000 e 2024. Em Mato Grosso do Sul, foram 10.199 casos no mesmo período. Apenas em 2024, o Estado contabilizou 173 casos de hepatite A, 91 de hepatite B e 178 de hepatite C.

O boletim também destaca a situação de Campo Grande. Em 2024, a Capital apresentou taxa de incidência de hepatite A de 17,2 casos por 100 mil habitantes, índice cerca de 2,9 vezes superior à taxa estadual, de 6,0 casos por 100 mil habitantes. Além disso, dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam que Mato Grosso do Sul realizou mais de 355,4 mil testes rápidos para hepatites B e C no último ano.

Segundo a gastroenterologista e hepatologista Dra. Paula Ferreira Lacerda, do Hospital do Coração MS, o caráter silencioso das hepatites está relacionado à forma como o fígado reage à inflamação.

"O fígado é um órgão que não dói quando está inflamado. Por isso, as hepatites virais podem passar anos sem apresentar sintomas. A pessoa se sente bem, enquanto o vírus age silenciosamente e o fígado vai sendo danificado aos poucos", explica.

A especialista destaca que, justamente por essa característica, os exames de rotina são fundamentais para detectar a infecção antes que ela provoque lesões mais graves.

"Realizar exames periódicos é a forma mais segura de descobrir a doença precocemente e iniciar o tratamento quando necessário", afirma.

Tipos de hepatites

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem ser causadas por diferentes vírus.

  • Hepatite A: transmitida principalmente por água e alimentos contaminados. Geralmente não evolui para a forma crônica.
  • Hepatite B: pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante o parto, podendo tornar-se crônica.
  • Hepatite C: transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, como no compartilhamento de agulhas, seringas ou materiais perfurocortantes sem esterilização adequada.
  • Hepatite D: ocorre apenas em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B e costuma apresentar evolução mais agressiva.
  • Hepatite E: também está relacionada ao consumo de água e alimentos contaminados, exigindo atenção especial durante a gestação.

Quando as hepatites B e C não são diagnosticadas, a inflamação contínua pode provocar fibrose, caracterizada pela formação de cicatrizes no tecido hepático. Com o passar dos anos, esse processo pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática e aumentar significativamente o risco de câncer de fígado.

"A boa notícia é que tudo isso pode ser evitado quando o diagnóstico é feito a tempo", reforça a médica.

Prevenção

Entre as principais medidas preventivas estão:

  • manter a vacinação em dia;
  • utilizar preservativo nas relações sexuais;
  • lavar corretamente as mãos e os alimentos;
  • consumir água tratada ou filtrada;
  • não compartilhar escovas de dente, lâminas de barbear, alicates de unha, seringas ou qualquer objeto que possa ter contato com sangue;
  • verificar se materiais utilizados em tatuagens, piercings, manicure e pedicure são descartáveis ou devidamente esterilizados.

Embora muitas pessoas permaneçam assintomáticas, alguns sinais merecem atenção, como cansaço persistente, urina escura, pele ou olhos amarelados, fezes claras, dor no lado direito do abdômen, náuseas frequentes e perda de apetite. No entanto, a ausência desses sintomas não exclui a possibilidade de infecção.

Alguns grupos devem realizar exames com maior frequência, entre eles pessoas que receberam transfusão de sangue antes de 1993, usuários de drogas injetáveis, quem fez tatuagem ou piercing em locais sem condições adequadas de esterilização, pessoas com múltiplos parceiros sexuais sem uso de preservativo, filhos de mães com hepatites B ou C e pacientes em diálise.

Tratamento

A hepatite C tem cura. Segundo a Dra. Paula, os medicamentos atuais são administrados por via oral, apresentam poucos efeitos colaterais e eliminam o vírus em mais de 95% dos casos.

Já a hepatite B ainda não possui cura definitiva para todos os pacientes, mas o tratamento disponível controla a multiplicação do vírus, protege o fígado e reduz significativamente o risco de complicações.

Quando o teste apresenta resultado positivo, o primeiro passo é confirmar o diagnóstico por meio de exames específicos, como sorologia e carga viral. Em seguida, é realizada a avaliação da saúde do fígado por exames laboratoriais e, quando indicado, exames de imagem ou elastografia hepática, que mede o grau de fibrose.

Atendimento especializado

No Hospital do Coração MS, o serviço de Hepatologia e Gastroenterologia oferece atendimento especializado para investigação, diagnóstico e acompanhamento de pacientes com hepatites virais e outras doenças hepáticas.

A unidade dispõe de consultas especializadas, solicitação e interpretação de exames, além de estrutura para realização de exames laboratoriais e ultrassonografia no próprio hospital.

O atendimento é destinado tanto a pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de hepatite quanto àqueles que apresentam alterações em exames do fígado, sintomas sugestivos ou fatores de risco para infecções virais.

Segundo a especialista, o objetivo é oferecer uma jornada de cuidado segura, com orientação individualizada e acompanhamento contínuo.

"A hepatite não precisa ser descoberta tardiamente. Com testagem, prevenção e acompanhamento adequado, é possível proteger o fígado, tratar a infecção e evitar complicações que comprometem a qualidade de vida", conclui a Dra. Paula.

Serviço

O Hospital do Coração MS oferece atendimento especializado em doenças do fígado, incluindo investigação diagnóstica, acompanhamento contínuo de pacientes com hepatites virais e outras alterações hepáticas, além da realização de exames laboratoriais e ultrassonografia na própria unidade.

O serviço atende pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de hepatite, alterações em exames hepáticos, sintomas como cansaço persistente, urina escura, pele ou olhos amarelados, dor abdominal, náuseas frequentes e pessoas com fatores de risco para infecções virais.

SERVIÇO – GRUPO SANTA (UNIDADE MATO GROSSO DO SUL)

Hospital do Coração MS

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Sobre o Grupo Santa

Fundado em 1963, o Grupo Santa nasceu da união de médicos visionários que idealizaram o primeiro hospital privado de Brasília. Ao longo de mais de seis décadas, consolidou-se como referência em alta complexidade e tornou-se o maior conglomerado hospitalar privado do Centro-Oeste.

Atualmente, reúne 12 unidades de saúde, entre hospitais gerais e centros especializados, distribuídas pelo Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A rede atua em diversas áreas da assistência à saúde, com destaque para atendimento hospitalar de alta complexidade, diagnóstico por imagem e assistência multiprofissional integrada.

A qualidade e a inovação fazem parte da estratégia do Grupo, reconhecido por certificações nacionais e internacionais, como a ONA (Organização Nacional de Acreditação) e a QMentum Diamante, que atestam elevados padrões de segurança, gestão e qualidade assistencial.

Em 2023, o Grupo Santa anunciou uma parceria estratégica com a Atlântica Hospitais, que adquiriu 20% de participação na empresa. A iniciativa fortaleceu a governança corporativa e ampliou a capacidade de investimento, impulsionando um novo ciclo de expansão e modernização da rede.