A dor na coluna já não é um problema exclusivo de pessoas acima dos 40 anos. Cada vez mais jovens, entre 20 e 30 anos, chegam aos consultórios médicos com queixas de dores persistentes nas costas e, em muitos casos, já apresentam hérnia de disco — condição que, até poucos anos atrás, era mais comum em pacientes mais velhos.

O alerta é do neurocirurgião especialista em cirurgia da coluna, Dr. Halisson Yoshinari, que observa uma mudança significativa no perfil dos pacientes atendidos nos últimos anos.

Segundo o especialista, a combinação entre sedentarismo, longos períodos utilizando celulares e computadores e a manutenção de posturas inadequadas tem provocado uma sobrecarga precoce na coluna vertebral.

"Hoje vemos pacientes muito mais jovens apresentando problemas que antes eram esperados apenas depois dos 40 ou 50 anos. O estilo de vida mudou e a coluna está pagando essa conta", explica.

De acordo com o médico, o primeiro sinal costuma ser um desconforto recorrente. Quando os hábitos não são modificados, a dor pode evoluir para um quadro crônico. Em pessoas com predisposição genética, esse processo pode ser ainda mais acelerado, favorecendo o aparecimento precoce da hérnia de disco.

Academia também exige cuidados

A prática inadequada de exercícios físicos também tem contribuído para esse cenário.

Segundo o Dr. Halisson Yoshinari, muitos jovens iniciam atividades intensas — como musculação, crossfit e corrida — sem orientação profissional ou aumentam rapidamente a carga dos treinos, elevando o risco de lesões na coluna.

"Nesse momento, pequenas alterações que estavam silenciosas podem se manifestar e gerar dores importantes", alerta.

Ansiedade também pode desencadear crises

Além da sobrecarga física, fatores emocionais exercem influência direta sobre a saúde da coluna.

O estresse e a ansiedade aumentam a tensão muscular, podendo desencadear ou intensificar crises de dor em pacientes que já apresentam algum comprometimento da coluna vertebral.

"O emocional não cria a doença, mas pode funcionar como um gatilho importante para quem já apresenta alguma alteração", destaca o especialista.

Quando é hora de procurar um especialista?

O médico orienta que a população procure avaliação especializada quando a dor persistir por mais de seis semanas ou quando surgirem sintomas neurológicos, como:

  • perda de força nos braços ou pernas;
  • formigamentos;
  • diminuição da sensibilidade;
  • dor irradiada para membros superiores ou inferiores.

Nessas situações, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar a evolução do problema e definir o tratamento mais adequado.

Três atitudes simples ajudam a proteger a coluna

O especialista destaca algumas mudanças de hábito que reduzem significativamente o risco de dores e lesões na coluna:

  • praticar atividade física pelo menos três vezes por semana;
  • ajustar corretamente a altura da cadeira, da mesa e do computador;
  • levantar-se e mudar de posição pelo menos uma vez por hora durante o trabalho.

"O corpo humano foi feito para se movimentar. Permanecer muitas horas na mesma posição é um dos maiores inimigos da coluna", conclui o Dr. Halisson Yoshinari.

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