A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) defende a criação de um programa de apoio financeiro emergencial para os setores impactados pela nova taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira. A medida, que passa a valer a partir de 1º de agosto, já levou frigoríficos habilitados a exportar para o país a suspenderem os embarques, com receio de prejuízos.

Na última quarta-feira (16), Thronicke encaminhou dois ofícios ao Governo Federal, direcionados aos Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores. Ela solicita que sejam tomadas providências diplomáticas para evitar a imposição da sobretaxa e também ações que viabilizem a abertura de novos mercados para os produtos sul-mato-grossenses. Além disso, pede apoio direto a frigoríficos, indústrias e produtores rurais do estado.

A parlamentar alerta para os impactos econômicos da medida adotada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que, segundo ela, pode atingir em cheio a cadeia produtiva local, com reflexos na geração de empregos e na economia regional.
“Não podemos assistir setores tão essenciais ao desenvolvimento do Brasil correrem riscos. Reitero meu compromisso com a defesa da economia do nosso estado”, declarou.

Estimativas e reação do setor

De acordo com levantamento da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), as perdas estimadas com a suspensão das exportações de carne podem ultrapassar US$ 140 milhões em 2025. A senadora reforçou que o momento exige ação imediata por parte do governo federal:
“Os empregos dos sul-mato-grossenses são mais importantes que qualquer divergência política ou ideológica. Nosso foco precisa estar na preservação da economia, da renda no campo e na manutenção de postos de trabalho. Por isso, pedimos que o Governo Federal olhe com atenção para esse cenário e atue de forma rápida e estratégica”, afirmou.

Apesar da suspensão dos embarques aos EUA, os frigoríficos mantêm os abates no estado. O Governo do Estado já estuda alternativas de exportação, embora reconheça que a abertura de novos mercados pode levar tempo.

Para Guilherme Bumlai, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), a redução sazonal da oferta de gado entre agosto e setembro pode aliviar temporariamente os efeitos do embargo, ajudando a equilibrar o mercado e conter eventuais quedas no preço da arroba.

Efeitos além da carne

Dados do sistema Agrostat revelam que, além da carne bovina, Mato Grosso do Sul exportou para os Estados Unidos, em valores significativos, produtos como celulose (US$ 213,4 milhões), sebo bovino (US$ 46,1 milhões) e açúcar (US$ 19,9 milhões). Os montantes equivalem a R$ 1,1 trilhão, R$ 257 milhões e R$ 111 milhões, respectivamente.

A Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) alerta que os impactos da decisão americana podem se estender para outras cadeias produtivas, inclusive com possível aumento no custo de insumos importados, comprometendo a competitividade do agronegócio brasileiro.

“O ‘tarifaço’ do Trump e seus desdobramentos vão impactar um conjunto amplo de cadeias produtivas relevantes para a economia de Mato Grosso do Sul. Dessa maneira, o setor produtivo pede uma articulação diplomática inteligente por parte do governo brasileiro, a fim de se reverter a situação grave que está posta”, concluiu o presidente da Famasul, Marcelo Bertoni.