O governador Eduardo Riedel (PP) projetou que Mato Grosso do Sul poderá contar, em um prazo de até três anos, com quatro hospitais entre os 100 melhores do Brasil no atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A expectativa, segundo ele, está associada à reformulação do modelo de gestão da saúde pública, com a adoção de parcerias e a terceirização da administração hospitalar.
A afirmação foi feita na manhã desta sexta-feira (23), durante entrevista ao programa Tribuna Livre, da Rádio Capital 95. Na ocasião, Riedel ressaltou que, para o usuário do sistema, pouco importa se o serviço é ofertado pelo município, pelo Estado ou pela União. “Justamente por ser tripartite você depende de uma engrenagem municipal, estadual e federal para que o resultado apareça na ponta, só que o cidadão que está na ponta não quer nem saber se é municipal, estadual ou federal”, afirmou.
A análise ocorre após a divulgação, em 7 de janeiro, de um levantamento nacional inédito que elencou os 100 melhores hospitais do SUS no país. Com unidades localizadas em Três Lagoas e Ponta Porã, Mato Grosso do Sul alcançou a 16ª colocação no ranking nacional. São Paulo ficou na liderança, concentrando cerca de 30% das instituições bem avaliadas.
Para o governador, o resultado reflete uma estratégia planejada. “Dos 100 melhores hospitais do Brasil, dois são daqui. Mato Grosso do Sul tem 1,5% da população e tem 2% dos melhores hospitais do Brasil, então está proporcional. E não por acaso, os dois hospitais que foram considerados, Três Lagoas e Ponta Porã, foram aqueles onde nós atuamos para mudar o modelo de gestão”, disse.
Riedel destacou ainda que a mesma política está sendo aplicada em outras unidades de saúde do Estado. “As pessoas me criticaram muito, isso está acontecendo com o Regional, e aconteceu com Dourados, então daqui a dois anos não vão ser dois [melhores hospitais], vão ser quatro. Garanto a vocês, daqui a três anos, vão ser quatro dos 100”, declarou.
O governador reforçou que a terceirização da gestão não representa um enfraquecimento do SUS, mas uma mudança na forma de administrar. “De jeito nenhum, eu só acho que tem que ser gerido de uma maneira diferente. A mesma quantidade de dinheiro, só que vai entregar qualidade, respeito, dignidade, atendimento bom, exame, não precisa da fila”, afirmou, ao defender que os repasses estejam vinculados à produtividade e à eficiência da gestão.
Em relação ao Hospital Regional de Campo Grande, Riedel afirmou que a unidade passará por uma ampla reestruturação física e operacional. De acordo com ele, haverá aumento de 63% no número de leitos, construção de um novo prédio, além de obras de retrofit — modelo que preserva a arquitetura original da estrutura antiga — e adoção do mesmo padrão de atendimento já implementado em Três Lagoas, Dourados e Ponta Porã. “É uma mudança conceitual muito grande e assim a gente deve caminhar na saúde”, disse.
O levantamento divulgado em janeiro também servirá de base para uma nova etapa da avaliação nacional. Em maio, está prevista a divulgação da lista com os dez melhores hospitais do SUS no Brasil, selecionados a partir do ranking dos 100 melhores.
Atualmente, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) passa por um processo de transição para um novo modelo de gestão, com terceirização da administração por meio de Organização Social. Conforme o governo estadual, o atendimento seguirá sendo integralmente pelo SUS, e a implantação do novo formato ocorrerá de forma gradual, acompanhando a expansão da estrutura física da unidade.




