Mato Grosso do Sul não pode perder recursos com a reforma tributária, que começa a entrar em operação a partir de 2027. A afirmação foi feita pelo candidato ao Senado, Reinaldo Azambuja, durante entrevista ao vivo aos jornalistas Marcos Farias, Ben-Hur Ferreira e Carmen Cestari, no programa Tribuna Livre, da Rádio Capital FM, na manhã desta sexta-feira.

Reinaldo alertou que o Governo Federal poderá tentar compensar o aumento da dívida pública elevando a carga sobre os Estados, o que, segundo ele, não pode ser aceito.

"O Governo Federal elevou a dívida pública da União de 71% para 81% do PIB nesses quatro anos. São mais de R$ 10 trilhões em dívida, e o povo brasileiro paga cerca de R$ 1 trilhão por ano apenas em juros. Então, o Governo vai tentar tirar mais dos Estados para cobrir esse rombo, e nós não podemos permitir isso", afirmou.

Para evitar que Mato Grosso do Sul seja prejudicado, Reinaldo defende um Senado forte e comprometido com a defesa dos Estados que mais produzem riqueza.

"Quem mais perde com a reforma tributária? Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Espírito Santo. É nesses Estados que está a grande produção", destacou.

Segundo ele, essas unidades da Federação concentram grande parte da produção agroindustrial do país e contribuem significativamente para a arrecadação tributária nacional.

Reinaldo também explicou como ocorrerá a transição para o novo modelo tributário.

"A reforma começa com a CBS, o imposto federal sobre bens e serviços. Com ela, deixam de existir o IPI, o PIS e a Cofins. A partir de janeiro, a nota fiscal já trará a CBS como imposto federal. Já a substituição do ICMS e do ISS começa em 2029, com uma transição inicial de 10%, avançando gradualmente até a implantação completa. Tenho muitas dúvidas sobre esse processo e acredito que Mato Grosso do Sul pode perder com essa mudança."

Apesar das preocupações, o candidato reconheceu que a reforma representa um avanço na simplificação do sistema tributário.

"A reforma simplifica porque acaba com o complexo sistema do ICMS, que possui 27 legislações diferentes, e do ISS, que conta com cerca de 5.800 legislações, já que cada município possui regras próprias. Isso reduz a guerra fiscal e torna o sistema mais simples."

Na avaliação de Reinaldo, o Senado terá papel decisivo para garantir que Estados e municípios não sejam prejudicados na divisão dos recursos públicos.

"Não podemos perder nada. Pelo contrário, precisamos lutar para que Estados e municípios recebam mais recursos, porque é nas cidades que as pessoas vivem e precisam de investimentos em saúde, educação, infraestrutura e qualidade de vida."

O candidato também ressaltou a importância de proteger o setor produtivo, principal motor da economia sul-mato-grossense.

"Mato Grosso do Sul é um Estado produtor. Em 11 anos, dobramos nossa produção de proteínas, carnes e grãos. Precisamos preservar essa força econômica. Não podemos perder absolutamente nada com a reforma tributária", concluiu.