O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão do bloqueio das redes sociais vinculadas à deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália desde 29 de julho. A decisão atinge contas em diferentes plataformas, como Gettr, Meta, Linkedin, TikTok, X, Telegram e YouTube, cujos representantes foram oficialmente intimados.
De acordo com Moraes, “no atual momento processual não há necessidade da manutenção dos bloqueios determinados nas redes sociais, devendo, somente, ser excluída as postagens ilícitas que deram causa a decisão judicial”. O ministro ainda impôs uma multa de R$ 20 mil por dia caso a deputada volte a divulgar conteúdos de ódio ou contra as instituições e o Estado Democrático de Direito.
Críticas ao ministro
Na quarta-feira (24), durante depoimento na Câmara dos Deputados no processo que pode levar à cassação de seu mandato, Zambelli voltou a criticar Moraes. Emocionada, exibiu uma foto do filho e afirmou: “Tirou as redes sociais do meu filho, tirou as redes sociais da minha mãe”.
Ainda em sua fala, relatou problemas de saúde enfrentados no presídio feminino de Rebibbia, em Roma, onde está detida. “Eu pareço uma velha, ando devagar, tenho muita dor de cabeça. E isso aumenta por causa da decepção toda, da decepção”, declarou. A parlamentar também contou que já sofreu oito desmaios na prisão e que enfrenta uma crise de fibromialgia.
Prisão e processo
Zambelli foi condenada pelo STF por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Antes de a decisão se tornar definitiva, fugiu para a Itália e acabou incluída na lista de difusão vermelha da Interpol.
Em julho, foi detida na região de Roma e segue aguardando o julgamento de um pedido de extradição. No Brasil, a Câmara analisa um processo de perda de mandato aberto em junho. Conforme as regras, um deputado perde o cargo quando a condenação transita em julgado, ou seja, não há mais possibilidade de recursos. O parecer inicial sobre o caso cabe à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).




