Após um breve período de trégua nas relações bilaterais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em discursos realizados nesta terça-feira (20).

Durante um evento em Rio Grande (RS), o chefe do Executivo brasileiro acusou o líder norte-americano de tentar “governar o mundo” por meio de uma rede social.

Lula participou da entrega de 1.276 unidades habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida”, no complexo Junção, obra que deve beneficiar cerca de 5 mil moradores da região.

Ao se referir ao uso intensivo de plataformas digitais por Trump, Lula afirmou:
“Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Fantástico, todo dia fala uma coisa. E você acha que é possível a gente tratar o povo com respeito se não olhar no rosto? Achar que é objeto e não um ser humano?”

Nos últimos meses, o presidente americano convidou líderes globais, incluindo Lula, para integrar um “Conselho da Paz” voltado à Faixa de Gaza, proposta ainda sem resposta oficial do governo brasileiro, que avalia se deve aceitar o convite. 
Aliados do presidente dizem que ainda não estão claras as intenções de Trump ao criar esse fórum.

O retorno das críticas ocorre depois de um período em que Lula procurou evitar confrontos públicos com Trump, especialmente após o governo norte-americano reduzir tarifas sobre produtos brasileiros — gesto que havia sido interpretado como um sinal de melhora nas relações. 
No final de 2025, o presidente chegou a afirmar que existia “química” entre os dois líderes e que as relações entre Brasil e Estados Unidos estavam positivas em comparação com outras fases da política internacional.

Mais recentemente, porém, Lula publicou um artigo no jornal americano The New York Times criticando a atuação dos Estados Unidos na Venezuela, sinalizando uma postura mais firme em relação à política externa de Washington.

Antes de mencionar Trump em seu discurso, o presidente também abordou o uso excessivo de redes sociais e plataformas de apostas (bets), defendendo maior regulação dessas tecnologias.

Entrega de moradias e políticas sociais

As 1.276 casas inauguradas são destinadas a famílias com renda mensal de até R$ 2.850, correspondendo à Faixa 1 do programa habitacional. 
Na modalidade “Entidades”, os beneficiários participaram da organização e execução dos projetos em conjunto com organizações da sociedade civil.

Em resposta às enchentes que afetaram o estado, o governo federal aplicou R$ 6,5 bilhões em créditos extraordinários ao “Minha Casa, Minha Vida Reconstrução”. 
Além disso, a modalidade “Compra Assistida” permitiu a aquisição de imóveis para mais de 9,5 mil famílias que perderam suas casas nas enchentes.

Contexto eleitoral

Pesquisas de opinião divulgadas no segundo semestre de 2025 mostraram cenários distintos sobre a competitividade de Lula nas urnas em 2026. Uma pesquisa Quaest em agosto apontou que, no Rio Grande do Sul, o presidente poderia perder para o governador Eduardo Leite (PSD) em um eventual segundo turno. 
Em contrapartida, outra pesquisa de setembro indicou vantagem de Lula na disputa presidencial.

Os dois políticos representam propostas divergentes: Lula, do PT, aposta numa agenda focada em políticas sociais e maior intervenção estatal na economia, enquanto Leite, do PSD, tem se posicionado como um candidato de centro, enfatizando equilíbrio fiscal e eficiência administrativa.