O Palácio do Planalto vai anunciar, nesta quarta-feira (13), um conjunto de medidas destinado a apoiar empresas brasileiras prejudicadas pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a determinados produtos nacionais. A apresentação está marcada para as 11h30, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista à rádio BandNews, Lula adiantou que será editada uma Medida Provisória (MP) criando uma linha de crédito de R$ 30 bilhões voltada a companhias que perderam competitividade no mercado internacional. Segundo ele, essa é apenas a primeira etapa de um plano mais amplo em elaboração pelo governo.
Além do financiamento, o pacote inclui a ampliação das compras públicas, a abertura de novos mercados e a priorização do conteúdo nacional, com o objetivo de “garantir a sobrevivência das empresas brasileiras”. O presidente convidou para a cerimônia os chefes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Medidas imediatas e ações complementares
O plano de contingência também prevê o adiamento, por até dois meses, no recolhimento de tributos e contribuições federais — medida semelhante à adotada durante a pandemia de Covid-19. Outra iniciativa é a compra governamental de produtos perecíveis, como peixes, frutas e mel, atualmente parados devido à sobretaxa.
A tarifa extra está em vigor desde 6 de agosto. Desde então, o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, lidera o comitê criado para negociar a suspensão junto ao governo americano, sem avanços até o momento.
Segundo auxiliares, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria condicionado qualquer diálogo ao encerramento dos processos contra Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ex-presidente responde por tentativa de golpe.
Lula declarou que não percebeu disposição real da Casa Branca para abrir negociações e que não iria “se humilhar” para iniciar conversas.
Busca por alternativas e possíveis retaliações
Diante do impasse, o governo intensificou contatos com outros parceiros comerciais. Na última semana, Lula conversou por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; com o presidente russo, Vladimir Putin; e com o líder chinês, Xi Jinping.
Após formalizar o pacote de socorro, o Planalto pretende abrir discussão sobre medidas de reciprocidade contra produtos norte-americanos, conforme informou a jornalista Ana Flor, da GloboNews.
A ideia divide o setor produtivo: enquanto parte dos empresários teme que a aplicação da Lei de Reciprocidade encareça importações e gere efeitos negativos na economia, outros acreditam que a iniciativa poderia fortalecer a posição brasileira nas tratativas.
De acordo com fontes próximas ao presidente, Lula solicitou que os ministérios da Fazenda, das Relações Exteriores e da Indústria e Comércio apresentem alternativas pontuais, evitando ações amplas, para responder às tarifas impostas por Washington.




