A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) responde a um processo criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de um episódio que gerou forte repercussão nacional durante o período eleitoral de 2022. Em 29 de outubro daquele ano, véspera do segundo turno das eleições presidenciais, a parlamentar sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas do bairro Jardins, área nobre de São Paulo.

A confusão teve início após um desentendimento verbal entre os dois durante um ato político. Segundo testemunhas, a troca de provocações evoluiu rapidamente e culminou com Zambelli correndo atrás do jornalista com a arma em punho, em plena luz do dia e em local público.

Em agosto de 2023, o STF aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e transformou Zambelli em ré. A acusação formal inclui porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma, crimes considerados graves no ordenamento jurídico.

No julgamento iniciado na Corte, o placar até o momento é de 6 votos a 0 pela condenação da parlamentar. A pena proposta pelos ministros é de 5 anos e 3 meses de prisão, a ser cumprida em regime semiaberto, além de outras sanções. A relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, classificou a conduta de Zambelli como “intolerável para o Estado Democrático de Direito”.

Apesar do avanço da votação, o julgamento foi temporariamente interrompido por um pedido de vista do ministro Nunes Marques, aliado do presidente Jair Bolsonaro, de quem Zambelli é próxima politicamente. Não há previsão para a retomada do processo.

O caso é considerado simbólico por envolver diretamente o uso político de armamento em um contexto eleitoral, algo que acirrou debates sobre segurança pública, armamento civil e responsabilidade de parlamentares no exercício do mandato. A eventual condenação pode impactar diretamente a elegibilidade da deputada e abrir caminho para processos de cassação no Congresso.