A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou, nesta segunda-feira (15), um novo pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando autorização para a realização de uma cirurgia considerada urgente e a transferência do político para o regime de prisão domiciliar.
Segundo os advogados, houve agravamento do quadro clínico de Bolsonaro após exames recentes, que apontam a presença de duas hérnias inguinais. De acordo com a petição, a situação exige intervenção cirúrgica imediata, sob risco de complicações mais graves.
No documento encaminhado ao STF, a defesa sustenta que o estado de saúde do ex-presidente é “grave, complexo e progressivamente debilitado”, ressaltando que novos exames de imagem e um relatório médico atualizado confirmam a necessidade de atuação rápida. “Desde a última manifestação, houve evolução objetiva e comprovada do quadro clínico”, afirmam os advogados.
Ainda conforme o novo relatório médico, o procedimento indicado é a herniorrafia inguinal bilateral, a ser realizada em ambiente hospitalar, com anestesia geral e previsão de internação entre cinco e sete dias. Os defensores destacam que dores e desconfortos na região da virilha se intensificaram em razão de crises frequentes de soluço.
No pedido, a equipe jurídica alerta que os soluços elevam a pressão abdominal, aumentando o risco de encarceramento ou estrangulamento intestinal — situações que poderiam levar a uma cirurgia de emergência, com riscos maiores ao paciente.
Diante desse cenário, os advogados requerem autorização judicial para a cirurgia, a internação necessária ao período de recuperação e, posteriormente, a conversão da prisão em regime domiciliar.
O caso vinha sendo analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, que anteriormente determinou a realização de uma perícia médica no prazo de 15 dias. A decisão ocorreu após o magistrado avaliar que os exames apresentados inicialmente eram de cerca de três meses antes, o que motivou a solicitação de uma nova avaliação clínica.
Após essa determinação, a defesa pediu que Bolsonaro fosse examinado por médicos indicados por eles, dentro da Polícia Federal. O procedimento foi autorizado e realizado no domingo (14). A perícia oficial da PF, no entanto, ainda não foi concluída.
Bolsonaro está preso desde 25 de novembro, cumprindo pena imposta pelo STF, que o condenou por liderar uma organização criminosa acusada de articular uma tentativa de golpe de Estado. Antes disso, ele estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, mas a medida foi convertida em prisão preventiva após a tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, atitude interpretada pelo ministro Moraes como indício de tentativa de fuga.
🔎 Entenda: a hérnia inguinal ocorre quando parte dos tecidos internos do abdômen protrui por uma área enfraquecida da parede muscular, formando um abaulamento na região da virilha.




