Pela primeira vez desde que entrou no radar do Instituto Ranking Brasil Inteligência, Roberto Mateus ultrapassou a casa de 1%. Na rodada mais recente do instituto, o candidato do PCdoB aparece com 1,10% das citações espontâneas dentro da Federação Brasil da Esperança.
Em julho, na 6ª rodada, ele tinha 0,20% e fechava a lista dos nomes citados. São cinco vezes e meia mais em menos de três meses.
A série completa
Todas as rodadas estão registradas na Justiça Eleitoral, conforme o art. 33 da Lei nº 9.504/1997, e foram feitas na modalidade espontânea, em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado. É a medição mais dura que existe, porque exige que o eleitor se lembre do candidato sozinho.
Oito medições, nenhuma queda.
Quem é Roberto Mateus
Roberto Mateus de Oliveira Galvão tem 61 anos, é natural de Campo Grande, aposentado, com ensino superior completo, sendo o fato notório de possuir cinco faculdades. Disputa com o número 6565 uma das oito cadeiras do estado na Câmara, entre cerca de 123 candidatos registrados, o equivalente a quinze concorrentes por vaga.
Não é estreante, mas nunca havia chegado perto. Em 2016 disputou vaga na Câmara Municipal de Campo Grande pelo PDT e ficou na suplência, com 1.695 votos. Em 2020 repetiu a tentativa e ficou suplente de novo, com 1.531 votos. Em 2022 concorreu a deputado federal, também pelo PDT, e recebeu 3.101 votos. Em 2024 voltou à disputa municipal e ficou na suplência, com 1.273 votos.
Em nenhum desses ciclos ele registrou presença mensurável em pesquisa estadual. É isso que torna a curva atual atípica: não há precedente na trajetória dele.
Presidente de setor no Aerorancho, na região sul de Campo Grande, Mateus construiu a base em trabalho comunitário de bairro, sem mandato, sem estrutura parlamentar e sem exposição prévia em rádio ou televisão.
Quem mais cresceu na federação
O quadro abaixo compara a 6ª rodada, de julho, com a 12ª, de 21 a 25 de setembro, a última em que os seis nomes da federação foram divulgados de forma consolidada.
Com a 13ª rodada, em que Mateus chega a 1,10%, o acumulado dele sobe para 0,90 ponto de ganho, ou 450%.
Até meados de setembro, a liderança de Roberto valia apenas em taxa de crescimento, porque Sandro Omar havia ganho mais pontos absolutos no acumulado. Esse quadro se inverteu nas duas últimas rodadas. Hoje ele lidera nas duas leituras, em proporção e em pontos conquistados.
A reta final tem sido de alta generalizada, com Camila Jara e Marquinhos Trad também subindo, movimento típico do período em que o eleitor indeciso começa a fixar um nome. Na 12ª rodada, por exemplo, os indecisos haviam caído de 40% em junho para cerca de 30% em meados de setembro. A diferença é que Mateus cresce partindo de uma base muito menor, o que faz cada décimo conquistado pesar proporcionalmente muito mais.
A corrida pelo terceiro lugar
O dado mais sensível é a distância para Sandro Omar, terceiro colocado da federação. Ela era de 0,40 ponto na 11ª rodada, de 14 a 18 de setembro, e caiu para 0,20 ponto na 12ª. Com Mateus a 1,10%, e mantido o patamar de 1,20% de Sandro Omar, a diferença fica em um décimo de ponto, dentro de qualquer margem de erro concebível.
Nas últimas quatro medições, Mateus avançou 0,50 ponto. Sandro Omar avançou 0,20 no mesmo intervalo. Projetando esse ritmo, as duas curvas se encontram exatamente na semana da eleição. É extrapolação de tendência, não medição: nenhuma pesquisa até agora registrou Mateus à frente.
Por que o terceiro lugar importa
Numa disputa proporcional, a terceira colocação de uma chapa não é apenas simbólica. Pelo art. 112 do Código Eleitoral, os suplentes são os mais votados da própria legenda ou federação entre os não eleitos. Se a Federação PT/PV/PCdoB eleger duas cadeiras em Mato Grosso do Sul, cenário apontado como o mais provável em análises da reta final, o terceiro mais votado assume a primeira suplência.
O suplente não precisa alcançar os 10% do quociente eleitoral exigidos para a eleição direta, conforme o parágrafo único do art. 112. E assume não apenas em caso de vacância definitiva: pelo art. 56 da Constituição, o suplente é convocado quando o titular é investido em cargo de ministro, secretário estadual ou municipal, ou se licencia por mais de 120 dias.
Quanto vale 1,10% em votos
Em 2022, o quociente eleitoral para deputado federal em Mato Grosso do Sul foi de 171.851 votos, o que corresponde a 1.374.808 votos válidos distribuídos por oito cadeiras. Pelo art. 108 do Código Eleitoral, com a redação da Lei nº 14.211/2021, só se elege diretamente quem obtiver ao menos 10% desse quociente, cerca de 17.185 votos.
Convertendo 1,10% em votos, há dois cenários:
Cenário A, conversão direta sobre os votos válidos projetados. Resulta em aproximadamente 15.100 votos, pouco abaixo da barreira de desempenho individual e dentro da faixa que disputa a suplência.
Cenário B, reponderação pelo eleitor decidido. Na 11ª rodada, brancos e nulos somaram 23% e os indecisos 30%, ou seja, cerca de 47% dos entrevistados citaram algum nome. Reponderado sobre essa base, 1,10% equivale a aproximadamente 32 mil votos, acima da barreira.
Em qualquer dos dois, a projeção representa entre cinco e dez vezes os 3.101 votos que Mateus obteve em 2022.
Ressalvas metodológicas
A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, maior que a maior parte dos valores medidos. Nenhuma rodada, isoladamente, comprova crescimento.
O que sustenta a leitura é a série. Oito medições pelo mesmo instituto, com a mesma metodologia, mesmo tamanho de amostra e mesma distribuição municipal, sem uma única queda, configuram tendência, e não oscilação.
A amostra não cobre o estado inteiro. O levantamento ouve eleitores em 30 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, o que deixa 49 cidades fora da coleta. Em disputas proporcionais com votação distribuída pelo interior, isso pode alterar a leitura de qualquer um dos nomes, para mais ou para menos.
A lista publicada é parcial. O instituto divulga apenas os seis nomes mais citados por federação, e a composição varia entre rodadas. Vander Loubet, presente em julho, migrou para a disputa ao Senado. A afirmação precisa é "o que mais cresceu entre os nomes da federação divulgados pelo instituto", não "de toda a chapa".
Grafia. O nome de urna registrado é Roberto Mateus. As publicações do instituto grafam "Roberto Matheus", com H. Trata-se do mesmo candidato.
Ficha técnica
Instituto: Ranking Brasil Inteligência, em parceria com a Rede de Rádios Top FM.
Rodada mais recente: 13ª, com campo em [inserir datas].
Amostra: 2.000 eleitores com 16 anos ou mais, em 30 municípios de Mato Grosso do Sul.
Margem de erro: 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Intervalo de confiança: 95%.
Modalidade citada: espontânea, sem apresentação de lista.
Registros da 13ª rodada: [inserir números MS e BR].
Registros das rodadas anteriores: MS-06247/2026 e BR-09350/2026 (6ª); MS-08317/2026 e BR-08403/2026 (7ª); MS-09590/2026 e BR-03493/2026 (8ª); MS-06560/2026 e BR-01882/2026 (9ª); MS-09894/2026 e BR-08288/2026 (10ª); MS-04287/2026 e BR-06426/2026 (11ª); BR-09348/2026 e MS-09415/2026 (12ª).
Base normativa citada
Lei nº 9.504/1997, art. 33 e parágrafos: registro obrigatório de pesquisas eleitorais, menção ao número de registro na divulgação e sanção pela divulgação irregular.
Lei nº 4.737/1965, Código Eleitoral, arts. 106 a 109, com a redação da Lei nº 14.211/2021: quociente eleitoral, quociente partidário, desempenho individual mínimo e distribuição de sobras.
Lei nº 4.737/1965, art. 112 e parágrafo único: critério de definição dos suplentes.
Constituição Federal, art. 56: hipóteses de convocação de suplente.
Lei nº 14.208/2021, que inseriu o art. 11-A na Lei nº 9.096/1995: federações partidárias.
Dados de trajetória eleitoral pretérita extraídos de base pública de candidaturas. Projeções de tendência são cálculo próprio desta reportagem e não constituem pesquisa eleitoral registrada.




