A deputada federal Camila Jara (PT-MS) se manifestou nesta quarta-feira (7) sobre as reações que tem recebido após o tumulto ocorrido na noite anterior, no plenário da Câmara dos Deputados. Segundo ela, os ataques nas redes sociais seriam reflexo de uma “rede de ódio” alimentada por apoiadores do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com quem protagonizou um episódio de empurra-empurra durante a sessão.

Em um story publicado em seu perfil no Instagram, Camila agradeceu o apoio de seguidores e mostrou que segue com o tratamento contra o câncer, recebendo vitaminas por via endovenosa. Apesar do episódio, a parlamentar destacou que mantém sua agenda política e que nesta quinta-feira (8) participará de um evento sobre o Plano Nacional de Educação em Campo Grande, ao lado da deputada Tábata Amaral (PSB-SP).

Encerrando o vídeo, ela afirmou: “e sobre os outros assuntos, é a rede de ódio deles agindo para intimidar e para tentar travar nossas lutas, mas aqui não”. E completou: “continuará lutando pela transformação do Brasil”.

Repercussão nas redes e acusações

Pouco antes do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) assumir a presidência da sessão, Camila fez uma live em que mostrou parlamentares governistas conduzindo Motta até a mesa, sob gritos de “retomada da ordem”. O conteúdo viralizou, com mais de 60 mil comentários — muitos deles críticos à atuação da deputada do PT.

Entre as mensagens contrárias, um internauta questionou: “Agredindo senhora? É assim que se defende os direitos humanos?”. Outro comentário dizia: “Faltou equilíbrio emocional e postura! Que papelão hein?!”.

Já os apoiadores de Camila se manifestaram em defesa da parlamentar: “Viva a democracia. Resistência sempre! #piorcongressodahistoriadopaís”. Uma usuária ironizou: “Ainda melhor do que usar recém nascido”, fazendo alusão à deputada Júlia Zanatta (PL-SC), que levou a filha de quatro meses às sessões como forma de protesto.

Pedido de escolta e divergência de versões

Após a confusão no plenário, Camila Jara solicitou escolta policial tanto em Brasília quanto em Campo Grande, alegando riscos à sua integridade. Um vídeo amplamente compartilhado nas redes mostra o momento em que a deputada supostamente empurra Nikolas Ferreira.

O parlamentar mineiro afirma ter sido agredido por Camila, incluindo um soco na região genital, segundo relato feito ao deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS). A petista, por sua vez, nega ter desferido qualquer golpe dessa natureza.

Camila relata que foi atingida por uma cotovelada de Nikolas enquanto tentava se aproximar do presidente da Câmara e que apenas revidou com um empurrão. “Eu me posicionei do lado do Hugo e começaram as provocações de baixo, de cima. E começou o empurra-empurra, e na hora que tava todo mundo aplaudindo, naquele empurra-empurra, o Nikolas me deu uma cotovelada, e aí eu empurrei ele de volta, e eu acho que ele se desequilibrou na hora que o Hugo levantou com a cadeira. Foi isso que aconteceu”, explicou.

Segundo ela, o episódio foi “uma confusão que não deve se repetir na democracia”.

Acusações e histórico de tensão

Horas antes, Camila divulgou uma nota pública se descrevendo como “com 1,60 metro de altura, 49 quilos e em tratamento contra um câncer”, ressaltando o absurdo da acusação de ter “nocauteado” o deputado com um soco.

Nikolas Ferreira, por outro lado, seguiu com os ataques nas redes e chamou a colega de “jararaca” em stories no Instagram. Ele também retomou um episódio envolvendo Camila e policiais militares em dezembro passado, quando a parlamentar discutiu com agentes no centro de Campo Grande.

Diante da repercussão, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, anunciou que pretende acionar a Comissão de Ética contra a deputada do PT.