A bancada federal de Mato Grosso do Sul demonstra amplo apoio à abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Dos 11 parlamentares que representam o Estado no Congresso Nacional, 10 já subscreveram ao menos um dos quatro requerimentos protocolados para investigar o caso.

Levantamento do Congresso em Foco mostra que, no Senado, os sul-mato-grossenses Nelsinho Trad (PSD), Tereza Cristina (PP) e Soraya Thronicke (Podemos) assinaram pedido de investigação. Na Câmara dos Deputados, o requerimento apresentado por Rodrigo Rollemberg (PSB) conta com as assinaturas de Beto Pereira (PSDB), Geraldo Resende (PSDB), Camila Jara (PT), Marcos Pollon (PL) e Rodolfo Nogueira (PL).

Entre os parlamentares do Estado, a maior adesão ocorreu ao pedido da oposição para instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito). O requerimento do deputado Carlos Jordy (PL) recebeu as assinaturas dos senadores Nelsinho Trad (PSD), Tereza Cristina (PP) e dos deputados federais Beto Pereira (PSDB), Luiz Ovando (PP), Marcos Pollon (PL) e Rodolfo Nogueira (PL).

Conforme o placar do Congresso em Foco, o pedido de CPMI apresentado por PSOL e Rede também reúne apoio de representantes de Mato Grosso do Sul, entre eles a senadora Tereza Cristina e o deputado federal Beto Pereira.

Ao Campo Grande News, o senador Nelsinho Trad afirmou que decidiu assinar os requerimentos por entender que, mesmo com investigações em andamento em outras instâncias, a atuação do Parlamento é fundamental para ampliar a transparência do caso.

O deputado federal Geraldo Resende destacou a relevância da apuração, apesar do viés político que costuma marcar as comissões parlamentares de inquérito. "Quem não deve, não teme. Sou favorável a todas as investigações para mostrar de onde veio esse rombo, quais os agentes políticos que sempre deram apoio ao [banqueiro Daniel] Vorcaro", declarou.

Na mesma linha, o deputado Rodolfo Nogueira defendeu que a comissão sirva para esclarecer os fatos. "Defendo que qualquer investigação ocorra com independência, imparcialidade e compromisso com a verdade", afirmou.

Além de apoiar os requerimentos de CPI e CPMI, o deputado Marcos Pollon intensificou a mobilização ao apresentar mais dois pedidos de investigação no Congresso. “Esse caso é muito mais grave que a Lava Jato. Esse é o maior escândalo que poderia se acometer sobre uma nação, pois os seus protagonistas são membros da mais alta corte”, disse.

Único integrante da bancada que ainda não assinou nenhum dos pedidos, o deputado federal Dagoberto Nogueira, líder do grupo, declarou ser favorável às investigações, mas explicou que há tratativas internas para que o caso do Banco Master seja incorporado à CPI do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). "Como tem coisas ligadas, pode integrar as investigações. Se for junto com a investigação do INSS, é até melhor porque já tem CPI formada", explicou.

Já a assessoria do deputado federal Vander Loubet (PT) informou à reportagem que ele deve assinar ainda hoje o requerimento apresentado pela base governista.

Fraude financeira – O Banco Master teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central após a constatação de ausência de lastro para as operações realizadas. A instituição também descumpriu normas de regulação do sistema bancário e apresentou falhas nos controles de risco, crédito e gestão de capital. O episódio é apontado como o maior rombo já registrado no setor.

No caso de regimes de previdência pública que aplicaram recursos em fundos vinculados ao banco, o valor sob risco chega a cerca de R$ 2 bilhões, sem garantia de ressarcimento integral. Parte dos investidores tem conseguido recuperar valores até o limite assegurado pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), mantido por contribuições das próprias instituições financeiras — impacto que comprometeu aproximadamente metade da receita do fundo. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso e atualmente é investigado pela Polícia Federal.