Dois dias após ter associado a vitória do ex-presidente Lula (PT) em estados do Nordeste ao analfabetismo na região, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (7) que não atacou os nordestinos.

No primeiro turno, Lula venceu em 14 estados, e Bolsonaro, em 13. Entre os 14 em que Lula venceu, estão os nove estados do Nordeste.

Na última quarta (5), Bolsonaro afirmou: "Uma notícia importante, pessoal: 'Lula venceu em nove dos dez estados com maior taxa de analfabetismo'. Vocês sabem quais são esses estados? São do nosso Nordeste. Não é só taxa de analfabetismo alta o mais grave nesses estados. Outros dados econômicos agora também são inferiores nessas regiões."

A declaração gerou repercussão. Lula, por exemplo, pediu a quem tem "uma gota" de sangue nordestino que não vote em Bolsonaro.

Nesta sexta, ao fazer um pronunciamento no Palácio da Alvorada, Bolsonaro declarou: "[Lula] Está me acusando de que agora? De não gostar de nordestino? Deve ser isso. Só mentiras."

Em seguida, acrescentou: "Ele [Lula] agora está usando: 'E o Bolsonaro está atacando os nordestinos como pessoas analfabetas'. Me apresente um vídeo eu atacando os nordestinos. Não tem."

O segundo turno está marcado para o próximo dia 30. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 57 milhões de votos no primeiro turno (48,4%), e Bolsonaro, 51 milhões de votos (43,2%). Ao todo, os dois receberam cerca de 108 milhões de votos (91,6%).

Pesquisa do instituto Ipec divulgada na última quarta mostrou Bolsonaro atrás de Lula (PT) no segundo turno. Conforme o levantamento, Lula aparece com 51% das intenções de voto no segundo turno (55% dos votos válidos), e Bolsonaro, com 43% (45% dos votos válidos).

A agenda em Brasília

Pela manhã, o presidente esteve em uma casa no Lago Sul, área nobre da capital, onde costuma gravar vídeos para o programa eleitoral, dirigiu um caminhão, concedeu entrevista e depois seguiu para o Palácio da Alvorada, onde se reuniu com aliados

Após passar o período da manhã na casa onde grava vídeos para o período eleitoral, Bolsonaro dirigiu um caminhão por um quarteirão, acompanhado por integrantes da campanha que o filmaram dirigindo o veículo.

Na sequência, Bolsonaro concedeu entrevista coletiva à imprensa e destacou ações voltadas para caminhoneiros, público considerado pelo presidente como parte de sua base de apoio.

Bolsonaro costuma mencionar com frequência a medida aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo governo que limitou o ICMS, um imposto estadual, sobre itens essenciais, entre os quais combustíveis e energia. A medida levou à redução dos preços da gasolina e do diesel, por exemplo.

"Essas medidas, todas os caminheiros reconhecem e reconhecem ainda que o preço do diesel, que está alto, não é culpa nossa. O mundo todo com a crise, com a guerra, aumentou o preço do diesel", declarou o presidente.

Ao final da entrevista, Bolsonaro se dirigiu para o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, onde se encontrou com JHC, prefeito de Maceió (AL).


JHC, até então filiado ao PSB, partido que apoia Lula (PT), migrou para o PL, partido ao qual Bolsonaro é filiado atualmente.

Volta do horário eleitoral

O horário eleitoral voltou a ser exibido nesta sexta-feira (7) e, no primeiro dia de inserções do segundo turno, Lula e Bolsonaro destacaram os apoios que têm recebido nos últimos dias, fizeram críticas um ao outro e agradeceram os votos obtidos no primeiro turno.

Na primeira propaganda do segundo turno, Lula mencionou o apoio de Simone Tebet (MDB). A senadora, que disputou a Presidência pela primeira vez, recebeu 4,9 milhões de votos no primeiro turno (4,1%). Na última quarta (5), Tebet declarou voto no petista. A expectativa é que os dois participem de um ato juntos nesta sexta.

A propaganda de Lula também criticou a atuação de Bolsonaro durante a pandemia e exibiu declarações do presidente, entre as quais a que "idiotas" pediam compra de vacinas. Durante toda a pandemia, Bolsonaro não seguiu as orientações de entidades médicas, criticou medidas restritivas e disseminou fake news sobre as vacinas.

O presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, citou o apoio que tem recebido de governadores (parte já o havia apoiado no primeiro turno) e do jogador de futebol Neymar.


Bolsonaro também criticou Lula e citou ações como a criação do Auxílio Brasil, a queda dos preços dos combustíveis e a redução do desemprego.

Crédito: Midiamax por Guilherme Mazui