No panorama nacional, a educação no campo desponta como a maior fragilidade. Entre os 50 municípios avaliados, nenhum atingiu índice elevado nesse aspecto, e a média geral foi classificada como baixa.
De acordo com o relatório, o desempenho insatisfatório é resultado de um déficit histórico na oferta de ensino de qualidade nas áreas rurais. “Superar essa deficiência é fundamental para incentivar a inovação, incorporar tecnologias sustentáveis e assegurar a continuidade geracional na agricultura”, destaca o documento.
O estudo também mediu o Índice de Desenvolvimento Rural (IDR) — indicador que leva em conta fatores como agricultura familiar, produtividade, aplicação de tecnologia, acesso à assistência técnica e participação de jovens no campo.
Os resultados confirmaram a tendência observada no Índice de Competitividade do Campo (ICV): municípios com forte peso econômico no agronegócio, como Maracaju e Dourados, apresentaram baixo desempenho no IDR. Segundo o pesquisador Andrade, “quanto maior a distância dos centros urbanos, mais a população rural tende a ser excluída”.
O levantamento revelou ainda que mais da metade das cidades analisadas não ultrapassou a marca de 0,3 no IDR, evidenciando avanços lentos na inclusão produtiva. Apenas seis municípios superaram 0,40, e nenhum alcançou 0,60.
Andrade ressaltou que, além das limitações no desenvolvimento rural, trabalhadores do campo também enfrentam exclusão em indicadores de bem-estar e desenvolvimento humano, apesar de serem fundamentais para o equilíbrio da balança comercial dos estados.
Como próximo passo, a Agenda Pública pretende apresentar os resultados da pesquisa, acompanhados de recomendações em governança e sustentabilidade, às prefeituras e autoridades federais, com o objetivo de subsidiar políticas públicas mais efetivas.
Para compor o estudo, foram cruzadas informações de dez bases públicas — entre elas, o Censo Agropecuário 2017 e dados do FNDE — para calcular o IDR, considerando desde o número de propriedades de agricultores familiares até a adoção de tecnologia e a presença de jovens nas atividades rurais.




