O embaixador André Corrêa do Lago, recém-eleito presidente da COP30, fez um apelo contundente por respostas imediatas à crise climática. Em seu discurso nesta segunda-feira (10), ele afirmou que o principal desafio da conferência será transformar metas e compromissos em ações efetivas.
“Estamos quase lá, mas ainda há muito a ser feito. O que realmente mudou minha visão sobre todo esse processo é a urgência. Precisamos agir agora”, enfatizou Corrêa do Lago, após ser escolhido por aclamação pelos delegados.
O diplomata lembrou que tragédias recentes, como o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu (PR) e outras 11 cidades da região centro-sul do estado — resultando em seis mortes e mais de 700 feridos —, são um alerta sobre a gravidade do momento. “A urgência é o elemento que nos move. Somos constantemente lembrados, com tristeza, por acontecimentos como os desta semana no Paraná, nas Filipinas e, há poucas semanas, na Jamaica. Nossa responsabilidade é imensa”, pontuou.
Corrêa do Lago ressaltou que a conferência de 2025 precisa ser marcada pela ação prática e pela união entre ciência, cultura, educação e cooperação internacional. “Esta é uma COP de implementação. Espero que seja também lembrada como uma COP de adaptação — uma conferência que vai integrar o clima à economia, às atividades produtivas e à geração de empregos, e, acima de tudo, uma COP que vai ouvir a ciência”, afirmou.
Antes de Corrêa do Lago, o presidente da COP29, Mukhtar Babayev, apresentou um balanço da conferência anterior, realizada em Baku, no Azerbaijão. O evento resultou em um novo compromisso financeiro para apoiar países vulneráveis diante de desastres climáticos e acelerar a transição para uma economia de energia limpa.
Entre os acordos firmados, está o aumento do financiamento climático para nações em desenvolvimento — de US$ 100 bilhões anuais para US$ 300 bilhões até 2035 —, além da meta de ampliar o volume total de recursos públicos e privados para US$ 1,3 trilhão por ano no mesmo período.
Apesar do avanço, o valor foi considerado insuficiente por países emergentes, incluindo o Brasil, que defendem que a meta de US$ 1,3 trilhão seja o ponto de partida, e não o teto.
Babayev afirmou que o compromisso firmado em Baku deve servir de base para futuras negociações. “O objetivo financeiro de Baku será um sucesso se mantivermos o espírito do acordo. As comunidades precisam ser protegidas e contar com financiamento real. Vamos garantir que isso permaneça dentro do sistema da ONU, provando que novos acordos não são apenas promessas”, declarou.




