Mato Grosso do Sul registrou um salto expressivo na área de florestas plantadas na última década. Entre 2015 e 2025, o Estado passou de 300 mil hectares para 1,75 milhão de hectares, um crescimento de 500%. Esse avanço é reflexo direto dos aportes privados, que devem ultrapassar R$ 70 bilhões até 2028.

Os números foram apresentados nesta segunda-feira (18) durante a abertura do 7º Congresso Florestal de Mato Grosso do Sul, realizado no Sesi de Três Lagoas. O evento faz parte da programação da Show Florestal 2025, que reúne especialistas, empresas e autoridades ligadas ao setor.

Com seis grandes empreendimentos em andamento, Mato Grosso do Sul consolidou sua posição como o “Vale da Celulose”. Entre os projetos em destaque estão o Cerrado, da Suzano, em Ribas do Rio Pardo — inaugurado este ano com investimento de R$ 22,2 bilhões e capacidade para 2,55 milhões de toneladas anuais —, e o Sucuriú, da Arauco, em Inocência, que prevê R$ 25 bilhões em investimentos, início de operação em 2027 e produção estimada em 3,5 milhões de toneladas por ano. Também fazem parte desse cenário a fábrica da Bracell, em Bataguassu, voltada à celulose solúvel, com aporte de R$ 16 bilhões, e a expansão da Eldorado, em Três Lagoas.

A força desse setor é refletida na economia estadual: em 2024, a atividade representou 10,7% do PIB sul-mato-grossense, movimentando R$ 15,7 bilhões.

Representando o governador Eduardo Riedel (PSDB), o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Thomitão Beretta, destacou que políticas públicas foram determinantes para atrair novos investimentos.

“Esse crescimento se deu em áreas já antropizadas, garantindo sustentabilidade. O Governo do Estado tem assegurado segurança jurídica, incentivos fiscais, investimentos logísticos e infraestrutura, como a concessão das rodovias estratégicas, aeroportos e a Rota Bioceânica, que farão do Mato Grosso do Sul um hub logístico da América do Sul”, afirmou.

Beretta também coordenou o painel “O Vale da Celulose no Brasil — status dos megaempreendimentos florestais”, que reuniu representantes da Suzano, Eldorado, Arauco e Bracell. O debate trouxe à tona não apenas os avanços dos projetos, mas também entraves que precisam ser superados, como a falta de mão de obra qualificada, a competitividade e a sustentabilidade do setor.

A Show Florestal, que neste ano chega à sua segunda edição, reúne 163 expositores. No espaço, o público pode conhecer lançamentos tecnológicos e inovações voltadas ao aumento da produtividade e à redução dos custos de produção.

A feira integra a Semana da Indústria do Eucalipto, que prossegue com a Rodada de Negócios do Sebrae, nesta quarta-feira (20), e visitas técnicas a empresas florestais da região de Três Lagoas, na quinta-feira (21).