A fiscalização eletrônica de trânsito em Campo Grande entra em uma nova etapa a partir deste sábado (20). Segundo a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), todos os radares instalados nas vias da cidade passam a operar integralmente, com aplicação de multas, encerrando a fase exclusivamente educativa.

A implantação ocorreu de forma gradual desde o início de novembro. Desde o dia 4, os equipamentos funcionavam apenas para orientação dos motoristas, sem penalidades. Na primeira etapa, até 18 de novembro, 59 faixas — com 24 radares e uma lombada eletrônica — permaneceram em caráter educativo. Em seguida, outras 37 faixas, que incluem 16 radares e mais uma lombada eletrônica, seguiram sem autuações até 26 de novembro. As demais faixas ficaram sob aviso até esta sexta-feira (19).

Atualmente, Campo Grande conta com 210 faixas monitoradas por radares, distribuídas por todas as regiões da Capital. De acordo com a Agetran, o objetivo da medida vai além da fiscalização. Em nota, o órgão informou que a iniciativa busca conscientizar os condutores sobre o respeito aos limites de velocidade, contribuindo para a redução de sinistros e para a preservação de vidas, além de reforçar a segurança viária no município.

Em pontos onde os equipamentos já estão instalados, motoristas e pedestres demonstram percepções variadas sobre a retomada das autuações. Na Avenida Noroeste, no cruzamento com a Avenida Riachuelo, em frente à Orla Morena, o militar aposentado Aroldo Garcia, de 76 anos, avaliou positivamente a fiscalização. Usuário frequente do carro, ele acredita que houve tempo suficiente para adaptação. “Mesmo sem tanto movimento, sempre tem quem anda rápido demais. Já deu tempo do pessoal se informar e aprender”, comentou.

A geógrafa Maria Aparecida Duarte, de 47 anos, que acompanhava o marido, destacou a importância da sinalização. Para ela, quanto mais orientações visíveis nas vias, melhor para o trânsito da cidade.

No mesmo local, a contadora Iolanda Teló, de 49 anos, fez uma reflexão sobre a forma como muitos condutores encaram os radares. Segundo ela, ainda há quem veja os equipamentos apenas como instrumentos de punição. “Já avancei o sinal algumas vezes e meu marido também. Depois, chegaram quatro multas em casa. À noite, às vezes passo no vermelho por insegurança de ficar parada. A sinalização é importante, porque muita gente só respeita quando é penalizada”, relatou.

Outro ponto observado foi o cruzamento da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Dom Aquino. O motorista Antonio de Souza, de 54 anos, afirmou que a região é conhecida pelo excesso de velocidade. “Aqui os veículos passam rápido demais. Por isso, a sinalização ajuda bastante”, avaliou.

Na Avenida Fábio Zahran com a Rua Rio Brilhante, as opiniões se dividiram. O comerciante Agnaldo Vasques, de 58 anos, considera que o fluxo intenso e os semáforos já limitam a velocidade. “Não dá tempo de acelerar muito. Acho desnecessária essa lombada eletrônica. A gente acaba parado no semáforo com medo de assalto”, disse.

Já o também comerciante Eritan Alves dos Santos, de 57 anos, defende o equipamento, especialmente pela proximidade de uma escola. “Acho correto. Inclusive, poderia funcionar até as 22h para evitar assaltos. Em quatro meses, já presenciei dois acidentes aqui”, afirmou.

A retomada completa da fiscalização ocorre após a troca da empresa responsável pelo sistema. No dia 31 de agosto, os antigos radares foram desligados para a implantação de novos equipamentos. A Serget Mobilidade Viária Ltda., com sede em São Paulo, assumiu a gestão da fiscalização eletrônica em Campo Grande, após a homologação de contrato no valor de R$ 47,9 milhões pela prefeitura.

O pregão eletrônico nº 006/2025, solicitado pela Agetran, prevê a instalação, monitoramento e manutenção dos equipamentos de registro de infrações, além do fornecimento de plataforma de gestão de dados, central de monitoramento e sistemas de análise e inteligência de imagens.