Levantamento inédito feito pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED) com diretores da rede estadual revela que a restrição ao uso de celulares em sala de aula impactou diretamente no comportamento dos alunos, reduzindo a violência e elevando a qualidade do ensino. O estudo foi conduzido no primeiro semestre deste ano, após a adoção da Lei nº 15.100/2025, que proíbe o uso dos aparelhos durante as aulas.

Segundo o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, a pesquisa colheu as percepções de todos os 342 diretores das escolas estaduais. Uma das principais questões respondidas pelos gestores foi: “Desde a implantação da lei, você percebeu algum impacto no comportamento social dos estudantes?” A maioria afirmou que sim — para 65,2% dos entrevistados, houve um “impacto muito positivo”. Outros 29,82% observaram “uma leve melhora” no ambiente escolar. Apenas 4,09% não notaram mudanças e 0,87% relataram aumento na agressividade.

A pesquisa também investigou a adesão das instituições à nova legislação. Apenas uma escola afirmou não ter implementado a norma, enquanto 19 disseram seguir parcialmente as diretrizes, por ainda estarem ajustando algumas regras. As demais 322 escolas já cumprem integralmente a medida. Quanto à aceitação por parte dos alunos, 196 unidades apontaram que houve resistência inicial, mas os estudantes se adaptaram; 97 relataram reação positiva desde o começo, e em 49 escolas ainda há certa resistência.

Sobre o armazenamento dos celulares, a maioria (80,9%) afirmou que os estudantes mantêm os aparelhos desligados nas mochilas ou bolsas. No entanto, outras alternativas também foram adotadas: em 20 escolas os dispositivos são recolhidos pela instituição e guardados em locais coletivos, como caixas ou armários; em 8, são utilizados armários individuais. Há ainda escolas onde os alunos simplesmente não levam os aparelhos, enquanto 29 relataram ausência de um controle específico.

Além da melhoria no comportamento, a proibição dos celulares refletiu diretamente na aprendizagem. Para 61,6% dos diretores, houve aumento na concentração e no engajamento dos alunos. Outros 35,3% notaram melhora pontual. Apenas 2,9% dos gestores não observaram mudanças. De forma geral, a aceitação da medida é ampla: 96,7% dos diretores consideram a lei positiva, embora 149 deles reconheçam que ainda são necessários ajustes em sua aplicação.