Um professor de Biologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), condenado por estupro de uma estudante e atualmente afastado das funções, recebeu promoção de cargo nesta semana. A mudança de nível foi oficializada em portaria publicada no último dia 11 de agosto, que contemplou docentes que cumpriram critérios estabelecidos pela instituição.

Antes no cargo de Adjunto/4, ele foi elevado para Associado/1. O documento não cita casos específicos nem faz referência direta ao professor, mas a alteração ocorreu enquanto segue em andamento o processo administrativo instaurado pela universidade.

O afastamento foi determinado em março deste ano, após a Justiça Estadual condená-lo a oito anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais. A decisão é de primeira instância e ainda passível de recurso.

O crime, segundo a denúncia, ocorreu em 2016, durante uma festa em uma república estudantil. O professor teria seguido a vítima até um quarto, trancado a porta e, minutos depois, saído do local. A aluna foi encontrada nua, desorientada e chorando. No dia seguinte, ele teria pedido que ela tomasse a pílula do dia seguinte.

Protestos – Dois dias após a divulgação da sentença, cerca de 40 estudantes se reuniram em frente à Reitoria da UFMS para exigir a exoneração do docente. Com faixas e cartazes, entoaram frases como: “UFMS, vê se escuta, quem estupra não educa” e “Estuprador eu não aceito, cadê a campanha Eu Respeito?”.

Na ocasião, uma ex-aluna de 30 anos, que relatou ter sido vítima de assédio pelo professor, declarou que a condenação “dá um gostinho de justiça, mas ainda há impunidade. Nenhum julgamento paga o que ele fez”.

Já uma estudante de 21 anos destacou: “Era aquela coisa de que todo mundo sabia, mas ninguém falava. Hoje estamos aqui para levantar a nossa voz. Existem milhares de denúncias na ouvidoria. É bonito fazer campanhas, mas será que as alunas se sentem seguras em sala de aula?”.

Posicionamento da universidade – Na época, a UFMS informou que a reitora determinou o afastamento preventivo do professor e instaurou uma Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para apurar o caso, com acompanhamento da Corregedoria.