A reta final está cada vez mais próxima. Restam cerca de 100 metros para que a Ponte Internacional da Rota Bioceânica conclua a conexão física entre Brasil e Paraguai, ligando Porto Murtinho a Carmelo Peralta. Iniciada em 14 de janeiro de 2022, a obra alcançou 90% de execução e entrou oficialmente na fase decisiva.
O canteiro de obras reflete a intensidade do momento. Equipes e maquinários atuam simultaneamente em diferentes frentes, tanto na estrutura principal quanto nos acessos viários. A previsão é que, até o fim de abril, seja realizada a concretagem do trecho que encerrará o vão remanescente e consolidará a ligação histórica entre os dois países.
O vão central da ponte estaiada mede 354 metros. Nesta etapa, os trabalhos estão concentrados na pavimentação, sinalização e nos acabamentos da pista principal — procedimentos fundamentais para que a entrega ocorra ainda neste ano.
Engenharia de escala continental
Apontada como uma das intervenções mais estratégicas da América do Sul, a ponte já demandou mais de 60 mil metros cúbicos de concreto — volume equivalente a cerca de 20 estádios de futebol ou três Torres Eiffel.
O investimento gira em torno de 100 milhões de dólares, com recursos provenientes da Itaipu Binacional, pelo lado paraguaio.
De acordo com o engenheiro de produção Maicon Aquino, a etapa atual contempla a concretagem dos tabuleiros com tecnologia voltada à durabilidade e à resistência ao tráfego pesado. A estrutura foi dimensionada para suportar o fluxo intenso de cargas previsto para o corredor bioceânico nas próximas décadas.
Nos acessos, o avanço também é significativo:
Serviços de terraplenagem e drenagem progridem nas duas margens;
No lado brasileiro, seguem obras de arte especiais, como viadutos e passarelas;
A ponte sobre o rio Amonguijá já concluiu a concretagem dos tabuleiros;
No lado paraguaio, continuam a execução da rampa de ligação, instalação de meios-fios e defensas, implantação de assoalho para pedestres e ciclistas e o aterro hidráulico com uso de dragas no Rio Paraguai.
O solo recebe tratamento técnico com solo-cal, solo-cimento e colchão de pedras, medidas adotadas para assegurar estabilidade e segurança estrutural.
Novo eixo logístico para o Centro-Oeste
Mais do que uma obra de engenharia, a ponte é considerada peça central da Rota Bioceânica, corredor que conectará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile, passando por Paraguai e Argentina.
Na prática, o trajeto deve:
Reduzir distâncias até o mercado asiático;
Diminuir custos logísticos para exportadores;
Ampliar a competitividade da produção agroindustrial;
Reposicionar Mato Grosso do Sul no cenário do comércio internacional.
A expectativa é que a rota esteja plenamente operacional em 2027. A ponte representa o elo fundamental para transformar o projeto em realidade e consolidar o corredor no mapa global de transporte e comércio.
Expectativa nas margens do Rio Paraguai
Em Porto Murtinho e Carmelo Peralta, o avanço da obra é acompanhado de perto. Comerciantes e moradores apostam no aumento do fluxo turístico, na chegada de novos investimentos e na dinamização da economia local.
Da condição histórica de isolamento do Chaco paraguaio à perspectiva de integração continental, a construção simboliza uma inflexão geopolítica e econômica para a região.
No canteiro, o consórcio responsável — formado por empresas paraguaias e brasileiras — mantém equipes em operação contínua, dia e noite.
Hoje, o que ainda separa Brasil e Paraguai já não é o Rio Paraguai. Restam apenas 100 metros de concreto — e eles estão prestes a desaparecer.




