Com 75% das obras já executadas, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica — que conectará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai — deve começar a receber veículos no primeiro semestre de 2026. Mesmo que alguns trechos ainda estejam em estrada de terra, a travessia estará disponível para turistas e para quem pretende utilizar o trajeto como corredor logístico.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira (3) pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, durante a Rodada de Negócios Brasil–Chile, realizada na sede da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. O encontro reuniu representantes políticos e empresariais dos dois países, com foco em parcerias estratégicas e fortalecimento da integração regional.
Animada com o andamento da obra, Simone explicou que a ponte estará finalizada ainda no primeiro semestre de 2026, mas lembrou que a construção da alça de acesso deve se estender até o fim do mesmo ano. Atualmente, os trabalhos concentram-se no carro de avanço para a junção dos lados da estrutura e na instalação das grades de proteção.
“Como a alça não precisa estar totalmente pronta para as pessoas trafegarem, nós já poderemos fazer turismo no deserto do Atacama e eles poderão vir conhecer Campo Grande, o Pantanal, Bonito, enfim, toda a região de Mato Grosso do Sul ainda no primeiro semestre. Ou seja, com a ponte pronta, ainda que haja algum pequeno trecho de estrada de terra, já podemos trafegar, seja para o turismo, seja para aproximar na área da culinária, seja, o que é mais importante ainda, para os investimentos”, declarou a ministra.
Tebet também destacou avanços nas negociações com o Paraguai para superar entraves alfandegários. “Se algum caminhão quiser passar por lá, nós estamos conversando. É importante: nós mencionamos isso com o governo paraguaio — o problema da alfândega, a cabeceira única. O Paraguai já concordou com a cabeceira única ali em Porto Murtinho, que era um grande problema alfandegário”.
Participaram do encontro o ministro da Economia, Fomento e Turismo do Chile, Álvaro García; o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP); o governador de Tarapacá, José Miguel Carvajal; a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP); e o presidente da Fiems, Sérgio Longen.
Estrutura e investimentos
A ponte terá 1.294 metros de comprimento por 21 metros de largura. No Paraguai, já foi concluída a pavimentação de 280 km entre Carmelo Peralta e Loma Plata, enquanto segue o asfaltamento no trecho que liga Mariscal Estigarribia a Pozo Hondo, próximo à fronteira com a Argentina.
No lado brasileiro, estão em execução 13,1 km de acessos até a BR-267. Nessa parte, estão sendo erguidas quatro pontes intermediárias, incluindo uma de quase 700 metros para transpor uma área alagada.
Além da ponte, haverá estruturas alfandegárias integradas. De acordo com estimativa da Receita Federal, o fluxo inicial deve ser de 250 caminhões por dia.
O investimento brasileiro é de R$ 474 milhões, sob responsabilidade do Consórcio PDC Fronteira, formado pelas empresas Caiapó Construções, DP Barros e Paulitec Construções. No Paraguai, a execução dos acessos está a cargo do Consórcio Tecnoedil e LT Construções, enquanto a ponte é construída pelo Consórcio Pybra.




