Nesta quarta-feira (17), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começa a coleta inédita do Censo Demográfico 2022 em áreas quilombolas. Apenas em Mato Grosso do Sul, existem 18 comunidades quilombolas no Estado, conforme Mapa da Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul.

Segundo divulgação do IBGE, pela primeira vez, o IBGE recenseará a população quilombola e visitará todas as localidades e comunidades do país, retratando sua realidade ao mostrar quantos são, onde e como vivem.

Trabalho prévio de mapeamento identificou 5.972 localidades, 3.542 setores censitários e 2.308 agrupamentos quilombolas.

Em entrevista ao Correio do Estado, na data de lançamento do Censo 2022, a responsável do IBGE pelas Comunidades Tradicionais em Mato Grosso do Sul, Thays de Souza Nogueira, destacou que, neste ano, haverá, inclusive, quilombolas coletando o Censo.

“Tiveram quilombolas que fizeram o processo seletivo, que vão recensear os próprios quilombolas, da própria comunidade”, disse.

Segundo o IBGE, toda a equipe do Censo 2022 que vai atuar em localidades quilombolas passou por um dia específico de treinamento.

Além disso, foram realizadas reuniões prévias de abordagem com as lideranças para explicar o que é o Censo.

Ineditismo

Pela primeira vez, o Censo 2022 irá aplicar a pergunta sobre autodeclaração e a qual comunidade o quilombola pertence.

Sobretudo, domicílios de quilombolas residentes fora das comunidades serão identificados como parte do grupo.

Já nos territórios oficialmente delimitados, serão aplicados questionários domiciliares de amostra com questões de registro civil, arranjo familiar, deficiência, educação, trabalho, situação do domicílio, saneamento, lixo e acesso à internet.

Inclusão

Segundo a subsecretária de políticas públicas para promoção de igualdade racial do IBGE em Mato Grosso do Sul, estima-se que, atualmente, existam 1,4 mil famílias quilombolas no Estado. 

“Tem quilombo em que família caminha três, quatro, cinco quilômetros para chegar até a associação. Então, ter comunidade tradicional quilombola pela primeira vez no censo é fundamental, é algo emblemático”, disse.

A ideia é promover mais inclusão das comunidades tradicionais, indo além dos dados que já existiam sobre povos indígenas.

Saiba

Segundo o IBGE, toda a divulgação foi acordada com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

“O grande objetivo é sensibilizar a população a responder o Censo Quilombola, o primeiro em que o IBGE vai poder oferecer para a sociedade como um todo estatísticas oficiais sobre quantos são, onde vivem e como vivem”, destaca a coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta Antunes.

Um dos desafios foi definir a pergunta para que a pessoa entenda o questionário e possa se declarar quilombola para o Censo.

Marta explica que a pergunta sobre pertencimento vai abrir em áreas pré-definidas de forma controlada geograficamente, considerando que se trata do primeiro exercício de retrato dessa população.

Regiões

O Nordeste é a região do Brasil que concentra o maior número de localidades quilombolas, 3.171. Logo em seguida vem a região Sudeste com 1.359 quilombos. As demais regiões têm os menores números: Norte (873), Sul (319) e Centro-Oeste (250), aponta o IBGE.

É no Nordeste também que está localizado o maior número de territórios quilombolas oficialmente reconhecidos (176). Mas é no estado do Pará, na região Norte, que está a maioria das localidades com delimitação oficial (75).

Crédito: Correio do Estado por Léo Ribeiro e Valesca Consolaro