A ocupação da sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Campo Grande, chegou ao terceiro dia nesta quinta-feira (15) e já mobiliza mais de 300 manifestantes. As famílias cobram medidas efetivas para destravar a reforma agrária e resolver conflitos fundiários no Estado.

Em Mato Grosso do Sul, cerca de 19 mil famílias vivem atualmente em acampamentos à espera de terra. Segundo os manifestantes, as áreas reivindicadas correspondem a grandes propriedades rurais que figurariam entre as maiores devedoras da União, o que, na avaliação do grupo, permitiria a destinação dessas terras para assentamentos.

Uma representante do movimento informou que mais de 300 famílias permanecem acampadas no local, sem previsão de desocupação enquanto não houver um acordo. De acordo com ela, o número de participantes segue aumentando com a chegada de pessoas de outros municípios do interior.

“Hoje chegou mais gente de outros acampamentos. Conversando, descobri que o acampamento de Ribas do Rio Pardo já estaria previsto para vistoria e divisão dos lotes”, afirmou.

Em nota, o Incra informou que realizou uma reunião com os manifestantes na quarta-feira (14), mas não houve consenso quanto à desocupação do prédio. O órgão acrescentou que as negociações continuam nesta quinta-feira.

A representante do movimento, entretanto, contesta a versão. “Só prometeram e não cumpriram”, disse.

Pautas de reivindicação

Entre as principais reivindicações estão pedidos de vistoria e desapropriação de três fazendas localizadas em dois municípios de Mato Grosso do Sul. O MSTB também solicita a conclusão do processo referente à Área Pública de Nioaque e defende que os acampados de Dourados sejam assentados no próprio município ou em Naviraí.

Os manifestantes ainda pedem a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e do presidente do Incra Nacional, Cesar Aldrighi, em Campo Grande para tratar diretamente das negociações. Segundo os superintendentes, porém, a vinda das autoridades foi descartada em razão de outros compromissos de agenda.

Outra denúncia apresentada é a de que uma fazenda em Mato Grosso do Sul, com 5.574 hectares e cerca de 770 famílias acampadas, teria supostamente fraudado a matrícula do imóvel para ocultar dívidas com o Governo Federal. Grandes devedores podem ser alvo de desapropriação para fins de reforma agrária.

Adilson afirmou que o Incra e o Governo Federal devem apurar as alegações. “Vamos verificar essa documentação assim que os manifestantes me passarem as matrículas antiga e nova”, prometeu o representante estadual do Incra. Na ocasião, um documento com as reivindicações, assinado pelo dirigente estadual do MSTB, Vanildo Elias de Oliveira, foi entregue aos representantes do Incra e do MDS.

Na manhã desta quinta-feira, Sidney de Almeida Ferreira, superintendente substituto do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) em Mato Grosso do Sul, esteve na sede do Incra para dialogar com os manifestantes. Ele destacou que a reforma agrária pode avançar mesmo em ano eleitoral, desde que sejam respeitados os trâmites legais. “Os processos em andamento devem correr normalmente. As demandas foram encaminhadas para o MDA e para o Incra Nacional, para serem verificadas.”