A Cúpula dos Líderes da COP30 tem início oficial nesta quinta-feira (6), em Belém (PA), reunindo representantes de 143 delegações e ao menos 57 chefes de Estado e de governo. O evento, promovido pela Presidência brasileira, marca a abertura política da Conferência do Clima da ONU — cujas negociações formais ocorrerão entre 10 e 21 de novembro. O g1 transmitirá ao vivo a recepção das autoridades e o discurso de abertura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diferentemente de edições anteriores, como as de Glasgow (2021) e Dubai (2023), as reuniões entre líderes mundiais antecedem a abertura oficial da COP. Segundo a presidência do evento, o formato foi alterado para permitir que os negociadores tenham mais tempo para tratar das pautas mais complexas da conferência.
Embora não tenha caráter deliberativo, a cúpula tem como objetivo definir uma “direção política” para as discussões, conforme explicou o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty. “A cúpula não é deliberativa. O que é deliberativo é a COP. Não há ideia de documento final na cúpula; isso caberá à conferência”, afirmou.
Durante dois dias de encontros, os participantes se dividirão em três mesas de alto nível, dedicadas a temas como florestas e oceanos, transição energética e financiamento climático. A primeira sessão servirá de palco para o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF), iniciativa proposta por Lula. O fundo pretende captar cerca de R$ 625 bilhões (US$ 125 bilhões) por meio de aportes públicos, privados e do mercado financeiro, com retorno direcionado a países que preservam florestas tropicais. Parte dos recursos (no mínimo 20%) será destinada a povos indígenas e comunidades tradicionais, e investimentos em combustíveis fósseis serão proibidos.
A segunda mesa abordará a transição energética, com foco em compromissos até 2030 e 2035. Entre as metas em discussão estão triplicar a capacidade global de energias renováveis, duplicar a eficiência energética e consolidar o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4x) — coalizão liderada por Brasil, Itália e Japão que pretende quadruplicar a produção de biocombustíveis e combustíveis limpos. Tecnologias como hidrogênio verde e biogás estão no centro das propostas.
A terceira sessão discutirá os dez anos do Acordo de Paris (2015–2025), avaliando o cumprimento das metas nacionais e o que será incorporado nas novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) até 2035. O tema do financiamento climático também ganhará destaque, especialmente com a apresentação do Roteiro Baku–Belém, elaborado pelas presidências do Azerbaijão (COP29) e do Brasil (COP30). O plano prevê mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para reestruturar o sistema financeiro climático global.
A lista de convidados inclui nomes de peso como Emmanuel Macron (França), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Keir Starmer (Reino Unido), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e Príncipe William, que representa o rei Charles III. Também estarão presentes líderes do Quênia, Noruega, Jamaica e do Conselho Europeu. Entre as ausências notáveis estão Donald Trump, Xi Jinping e Javier Milei — os Estados Unidos e a China não enviaram representantes políticos de alto escalão.
Os discursos de abertura serão proferidos por Lula e pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que deve fazer um apelo global por ações concretas, pedindo que a COP30 marque a transição “da promessa à prática”. Também discursarão líderes como Jonas Gahr Støre (Noruega), António Costa (Conselho Europeu) e Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro da China.
A Cúpula, realizada no Parque da Cidade, segue até sexta-feira (7). O local também abrigará as “zonas azul e verde”, onde ocorrerão as negociações e os eventos paralelos das próximas semanas. Esta é a primeira vez que um encontro de líderes climáticos acontece na Amazônia, símbolo mundial da biodiversidade e foco central das discussões sobre sustentabilidade e desenvolvimento.




