O estado de conservação de uma jaqueta encontrada durante a exumação dos integrantes dos Mamonas Assassinas chamou a atenção e provocou comentários nas redes sociais. A explicação, no entanto, está no material da peça. Confeccionada em nylon — um tipo de plástico — a roupa pode levar até 200 anos para se decompor.
“É um material de duração praticamente eterna. Esse tipo de roupa, em condições naturais no meio ambiente, pode chegar a 200 anos intacta. Considerando que ela estava enterrada, esse tempo pode ser ainda maior”, explicou Fabrício Stocker, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O pai de Dinho, Hildebrando Alves Leite, informou que a família pretende encaminhar a jaqueta ao museu do Centro Universitário FIG-Unimesp, em Guarulhos, para que passe a integrar o acervo permanente e fique acessível a fãs e visitantes.
“A exumação é uma evolução e você tem que acompanhar. Antes não tinha essa tecnologia. E a evolução te faz aprender a viver os dias de hoje”, afirmou.
Além da jaqueta, a família do guitarrista Alberto Bento Hinoto, o Bento, encontrou um ursinho de pelúcia em bom estado de conservação sobre o caixão do músico. A cunhada dele acredita que o objeto tenha sido colocado por um fã ou pela mãe do artista, como forma de homenagem. A peça também deve ser incorporada ao memorial dedicado à banda no Cemitério Primaveras.
"Durante a exumação vimos que o ursinho de pelúcia estava bem em cima da urna, praticamente intacto. Assim, estava sujo de terra, lógico, mas praticamente intacto. Agora, pretendemos deixar no memorial que será feito para eles", afirmou Claudia Hinoto, casada com Maurício Hinoto, irmão de Bento.
Memorial ecológico
Os corpos dos músicos foram exumados na última segunda-feira (23) para que as cinzas sejam depositadas junto a árvores nativas em um memorial ecológico aberto à visitação. A data de inauguração ainda não foi divulgada.
O projeto prevê o plantio de cinco jacarandás — um para cada integrante — em um espaço batizado de Jardim BioParque Memorial Mamonas. A proposta é criar um “memorial vivo”, que una natureza, tecnologia e memória.
“A ideia foi tirar da lógica de túmulo estático e transformar em um espaço de vida, encontro e homenagem permanente”, afirmou Jorge Santana.
Segundo ele, a proposta partiu do grupo gestor do cemitério e foi aprovada de forma unânime pelas famílias antes do anúncio público.
O memorial será instalado atrás dos túmulos originais, que continuarão preservados. Cada árvore terá identificação nominal e contará com recursos digitais para que o público acompanhe o crescimento em tempo real, além de acessar conteúdos multimídia, como clipes, entrevistas e registros históricos da banda. Totens interativos também farão parte do espaço.
A visitação será gratuita, e as famílias terão controle sobre o material disponibilizado, tanto no ambiente físico quanto nas plataformas digitais, permitindo atualizações constantes.
Há ainda estudos para a criação de um museu dedicado ao grupo, com exposição de roupas e objetos pessoais, além da ampliação das ações do Instituto Mamonas Assassinas, responsável por projetos sociais como o Mamonas Futebol para Amputados e iniciativas voltadas ao autismo.
Para Hildebrando, o conceito do memorial dialoga com a personalidade do filho, que tinha forte ligação com a natureza.
“Ele sempre preservava o que via pela frente, recolhia o que estava no chão. Gostava muito da natureza”, disse.
Cidade natal da banda e segundo município mais populoso de São Paulo, Guarulhos deve incluir o novo espaço em sua rota cultural. A expectativa é que o memorial se consolide como ponto permanente de visitaação e contribua para manter viva a história do grupo.
Documentário na TV
Na próxima segunda-feira, 2 de março, a TV Globo exibe o documentário “Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú”, que revisita a trajetória meteórica da banda e relembra, com humor e irreverência, o sucesso alcançado em curto espaço de tempo.
A produção será apresentada no “Cine BBB”, dentro do Big Brother Brasil, e também no “Tela Quente”. O especial reconstrói a história dos cinco jovens de Guarulhos por meio de imagens de arquivo e depoimentos exclusivos de familiares e personalidades impactadas pelo grupo, três décadas após a morte dos músicos.
O documentário traz entrevistas com nomes como Serginho Groisman, Cláudio Manoel e Tom Cavalcante.
“Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú” é uma produção do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, com direção de Fellipe Awi e roteiro de Renato Terra e Gabriel Tibaldo. A produção é de Anelise Franco, com produção executiva de Fernanda Neves e direção artística de Monica Almeida. A direção do Núcleo de Documentários é de Pedro Bial.




