O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou mais de R$ 14 milhões em multas por infrações ambientais em Mato Grosso do Sul ao longo de 2025. As penalidades atingiram desde propriedades rurais ligadas a figuras conhecidas no Estado até empresas e fazendeiros investigados por crimes ambientais.
Entre os autuados estão a fazenda de um empresário conhecido por relatar avistamentos de extraterrestres e manter uma chamada “comunidade científica” em Corguinho, um ex-diretor da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) e produtores rurais investigados por incêndios no Pantanal, em Corumbá, no início do ano.
Zigurats sob fiscalização
A maior multa registrada no Estado teve como alvo a Fazenda Projeto Portal, localizada em Corguinho. A propriedade é vinculada à comunidade científica associada ao empresário Urandir Fernandes de Oliveira.
O Projeto Portal se apresenta como um “centro de pesquisas, turismo e vivência” e ganhou notoriedade por abrigar a chamada cidade de Zigurats, além de relatos de conexões com avistamentos de extraterrestres, segundo seus idealizadores. O espaço também funciona como um hotel-fazenda, frequentado por visitantes atraídos por motivações místicas.
A área está ligada à Associação Dakila Pesquisas, empresa que concentra diferentes negócios de Urandir, que se define como cientista e ufólogo. Entre as atividades associadas ao grupo estão uma distribuidora de vinhos e uma fintech voltada à comercialização de criptomoedas, a BDM Digital.
Em 30 de setembro do ano passado, o Ibama aplicou duas multas à Fazenda Projeto Portal, uma no valor de R$ 5 milhões e outra de R$ 30 mil. As autuações decorrem de irregularidades no licenciamento ambiental e seguem em fase de homologação, com prazo de defesa aberto.
Ex-diretor da Fiems
A segunda maior multa ambiental aplicada em Mato Grosso do Sul em 2025 recaiu sobre o empresário Aurélio Rolim Rocha, ex-diretor de Relações Internacionais da Fiems.
Aurélio Rocha também atua como representante da Lide em Mato Grosso do Sul, empresa criada pelo ex-governador de São Paulo João Doria para promover eventos voltados à aproximação entre empresários, políticos e autoridades do Judiciário, em um modelo semelhante ao lobby, prática que não é regulamentada no Brasil.
O Ibama multou uma fazenda de Aurélio Rocha em Porto Murtinho por desmatamento e irregularidades no licenciamento ambiental. O valor da autuação foi de R$ 3,84 milhões e, assim como no caso da Fazenda Projeto Portal, o processo ainda aguarda homologação, com prazo de defesa em aberto.
A multa foi aplicada em 17 de outubro do ano passado, cerca de seis meses após Aurélio Rocha ter sido anfitrião do Fórum Lide COP 30, realizado em maio, em Bonito. O evento contou com patrocínio de empresas como Cutrale e Vale, apoio institucional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e participação de nomes como o ex-presidente Michel Temer e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
Em setembro do ano passado, Aurélio Rocha deixou de integrar o quadro de diretores da Fiems, após vir a público a informação de que ele era alvo de inquérito no Ministério Público Federal por desmatamento em sua propriedade rural.
A terceira maior multa do ano também foi registrada em Porto Murtinho, em uma fazenda pertencente a Nilton Fernando Rocha Filho, da mesma família. A penalidade, igualmente de R$ 3,84 milhões, foi aplicada pelos mesmos motivos da autuação contra o ex-diretor da Fiems.
Incêndios no Pantanal
Outras multas de grande valor foram aplicadas a Fernando Fernandes e João Fernandes Filho, ambos fazendeiros e empresários investigados pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal por suposto envolvimento em incêndios criminosos que atingiram o Pantanal no ano passado.
As autuações mais elevadas contra os dois foram lavradas em abril. Fernando Fernandes recebeu multa de R$ 3,5 milhões, enquanto João Fernandes Filho foi penalizado em R$ 2,51 milhões.
Segundo o Ibama, as infrações envolvem danos ambientais e irregularidades no licenciamento. Os processos também se encontram em fase de homologação, com prazo de defesa aberto.
Queima de pneus
A empresa 7K Pirólise Ltda., instalada em Sete Quedas, no extremo sul do Estado, aparece entre as maiores autuadas. O Ibama aplicou duas multas à companhia: uma de R$ 2,55 milhões e outra de R$ 688 mil, em julho e setembro do ano passado.
A unidade, que atua no reaproveitamento de pneus, foi alvo de diversas denúncias de moradores da cidade, que relataram problemas com fuligem, queima irregular de pneus e poluição ambiental. Conforme o Ibama, a empresa não possuía licença ambiental para exercer a atividade.
Ranking das maiores multas do Ibama em MS em 2025
Fazenda Projeto Portal (Corguinho) – R$ 5.010.500,00
Aurélio Rolim Rocha (Porto Murtinho) – R$ 3.840.000,00
Nilton Fernando Rocha Filho (Porto Murtinho) – R$ 3.840.000,00
Fernando Fernandes (Corumbá) – R$ 3.500.500,00
7K Pirólise Ltda. (Sete Quedas) – R$ 2.555.000,00
João Fernandes Filho (Corumbá) – R$ 2.510.500,00
Igor Wider Rezende (Jardim) – R$ 820.500,00
Douglas Franco (Caarapó) – R$ 875.000,00
7K Pirólise Ltda. (Sete Quedas) – R$ 688.000,00
Douglas Franco (Bodoquena) – R$ 501.500,00




