Em resposta à deterioração da infraestrutura e à crescente demanda por serviços, o Governo de Mato Grosso do Sul criou um Grupo de Trabalho Interinstitucional com a missão de avaliar as condições da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande. A iniciativa, oficializada na edição desta quarta-feira (6) do Diário Oficial do Estado, prevê a elaboração de um diagnóstico técnico e um plano de melhorias para os próximos anos.

A criação do grupo leva em conta o tempo decorrido desde a inauguração da unidade, há mais de uma década, bem como o crescimento populacional de 11,7% registrado na capital sul-mato-grossense. Também foram consideradas as novas exigências dos diversos órgãos que atuam no local, como Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e forças de segurança. A decisão é parte de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande, que institui a gestão compartilhada do espaço.

Reforma prevista e orçamento ampliado

A movimentação do governo estadual ocorre paralelamente ao relançamento da licitação promovido pela Prefeitura para a reforma da unidade. A nova proposta foi publicada no Diário Oficial do Município no dia 23 de julho, após o cancelamento do edital anterior. O projeto agora conta com orçamento de R$ 454 mil — um aumento de 83% em relação ao valor inicialmente previsto — e contempla serviços como substituição do telhado e do piso, instalação de novas portas, pintura e outros reparos estruturais.

O cronograma estabelece prazo de 150 dias para a conclusão da reforma. A etapa mais onerosa, que inclui a troca do telhado ao custo de R$ 221 mil, deve ser finalizada em até 120 dias.

Críticas e denúncias motivaram ação

A urgência na reestruturação da Casa da Mulher Brasileira ganhou força após reportagens denunciarem a precariedade das instalações. Em fevereiro, o Campo Grande News revelou problemas como forros quebrados, pisos com rachaduras, ferrugem em portas e janelas, além de calor excessivo e falhas no atendimento às mulheres.

O caso ganhou ainda mais repercussão após a morte da jornalista Vanessa Ricarte, que havia denunciado a falta de acolhimento na unidade antes de ser assassinada. À época, a então ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, visitou o local e apontou diversas falhas, incluindo atendimento manual, ausência de integração entre setores e deficiências tecnológicas.

Diante desse cenário, uma força-tarefa foi instituída para revisar milhares de registros que estavam pendentes no sistema da instituição.