Os casos de golpes financeiros contra aposentados motivaram mais de 1,2 mil atendimentos na Defensoria Pública em Campo Grande ao longo de 2025. O levantamento aponta crescimento de demandas envolvendo fraudes por meio do Pix, descontos indevidos em folha de pagamento e empréstimos consignados não autorizados.

Do total de 21.322 atendimentos feitos no ano passado pelo Nuccon (Núcleo do Consumidor) na Capital, mais de 1.200 estiveram ligados a irregularidades que atingiram beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A maior parte das reclamações envolveu descontos em contracheque decorrentes de consignados não contratados, além de cobranças feitas por associações sem consentimento, prática que afeta principalmente idosos.

Diante do volume de ocorrências, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul reforçou as ações de orientação jurídica e passou a atuar de forma mais intensa na busca por reparações, com o objetivo de garantir a devolução dos valores descontados e a suspensão das cobranças indevidas.

O cenário de fraudes levou, em 2025, à deflagração da operação Sem Desconto, realizada em 23 de abril pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), após a identificação de irregularidades envolvendo benefícios previdenciários.

Auditoria da CGU apontou que aposentados entrevistados em Mato Grosso do Sul desconheciam os repasses mensais feitos a associações que, em tese, oferecem benefícios aos filiados. A apuração foi motivada pelo aumento repentino no valor total dos descontos de mensalidades associativas registrados diretamente na folha de pagamento dos beneficiários do INSS.