Os registros de estelionato em Mato Grosso do Sul caíram para o menor nível desde o avanço desse tipo de crime durante a pandemia da Covid-19. Com cerca de 11,5 mil ocorrências, o número representa uma retração significativa em relação aos anos anteriores. Para o governador em exercício, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, o resultado está diretamente ligado aos investimentos feitos recentemente na área de Segurança Pública, com ênfase no fortalecimento do setor de inteligência.
Levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) aponta que, no ano passado, foram contabilizados 11.479 casos de estelionato no Estado. O total corresponde a uma queda de 17,93% na comparação com 2024, quando houve 13.987 registros — o maior volume já observado até então.
No recorte por municípios, Campo Grande concentra o maior número de ocorrências, com 3.437 casos. Na sequência aparecem Dourados (1.270), Corumbá (397) e Coxim (247).
O crescimento expressivo desse tipo de crime teve início durante a pandemia e permaneceu elevado nos anos seguintes. Em 2020, primeiro ano da crise sanitária, Mato Grosso do Sul registrou 7.205 ocorrências. Antes disso, entre 2016 e 2019, os números variavam entre 3,6 mil e 5,2 mil casos anuais.
Em 2021, houve um salto de 63,43% em relação ao ano anterior, alcançando 11.775 registros, o que representou um recorde à época. Já em 2022 e 2023, os dados continuaram em alta e se estabilizaram em patamar próximo a 14 mil ocorrências por ano.
Considerando o período de 2016 a 2025, o Estado acumula 87.441 casos de estelionato, aproximando-se da marca de 90 mil registros.
Nesta semana, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) divulgou um alerta sobre um novo golpe que envolve falsos magistrados, com a finalidade de obter dados pessoais, cadastrais ou valores das vítimas.
Em nota, o Judiciário esclareceu que “magistrados não entram em contato com jurisdicionados para solicitar dados pessoais, informações bancárias ou pagamento de taxas, custas ou qualquer outro valor por meio de ligações telefônicas, mensagens de aplicativos, e-mails ou redes sociais”.
Investimentos e prevenção
Em entrevista ao Correio do Estado, Barbosinha atribuiu a redução dos casos ao trabalho integrado das forças de segurança e aos investimentos feitos pelo Estado.
“A questão do estelionato também, isso é fruto de inteligência policial, de investigação, de elucidação de crime, porque a falta de punição também é um estímulo à criminalidade. Acho que é o trabalho conjunto das nossas forças de segurança, que é diferente de Mato Grosso, Polícia Civil, Polícia Militar, o trabalho integrado que é realizado”, disse.
O governador em exercício destacou ainda a importância de ampliar os recursos destinados à área. “Investimentos no efetivo, qualificação, investimento em inteligência. Eu acho que é um ponto fundamental, cada vez mais temos que investir em tecnologia e inteligência, e acredito que o Estado tem que continuar avançando em inteligência policial e tecnologia”, complementa.
Outro fator apontado por Barbosinha é a subnotificação. Segundo ele, muitas vítimas deixam de registrar ocorrência por vergonha, o que dificulta o trabalho policial e reduz as chances de recuperação dos prejuízos.
“A vítima de estelionato normalmente fica com um sentimento depois de vergonha, e, muitas vezes, ela acaba nem procurando a autoridade policial para relatar que ela foi vítima de estelionato. Quando você esclarece, às vezes você não tem condições de reaver a questão dos recursos”, afirma, ressaltando que idosos e pessoas menos familiarizadas com meios digitais estão entre os alvos mais frequentes.
Operação policial
Um exemplo recente de atuação integrada ocorreu em novembro do ano passado, quando a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prestou apoio à Polícia Civil de Santa Catarina na Operação Alvará Fantasma. A ação resultou no cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão e 7 de prisão temporária em Nova Andradina, Dourados, Campo Grande e Três Lagoas.
A investigação, iniciada em junho em Florianópolis (SC), desvendou um esquema conhecido como golpe do falso advogado. Uma das vítimas em Santa Catarina teve prejuízo estimado em cerca de R$ 100 mil.
As apurações indicaram que o grupo atuava a partir de Nova Andradina e já havia aplicado golpes em ao menos outras três vítimas catarinenses, com danos superiores a R$ 170 mil.
De acordo com o delegado Caio Bicalho, titular da Delegacia de Nova Andradina, os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens para se passar por advogados, valendo-se de fotografias, nomes e registros reais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para dar aparência de legitimidade às abordagens.
As vítimas eram induzidas a realizar pagamentos referentes a supostas custas processuais ou alvarás judiciais, com base em documentos falsificados que continham timbres e assinaturas simuladas do Poder Judiciário.
Durante a operação, a polícia apreendeu o celular utilizado nas fraudes, além de outros aparelhos pertencentes aos investigados, que serão analisados para aprofundar as investigações.




