Funcionários de agências do Banco Itaú em Campo Grande interromperam os atendimentos nesta quinta-feira (6) em protesto para pressionar a instituição financeira a retomar as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, que garante os direitos da categoria.

A paralisação já afeta unidades como as da Avenida Coronel Antonino e da Rua Cândido Mariano. Segundo o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região, as negociações com a categoria foram interrompidas em janeiro de 2025, após o Itaú tentar impor um acordo com cláusulas desfavoráveis aos trabalhadores, como a validação do ponto e das horas extras pelo sindicato.

“Não podemos aceitar desvios na jornada de trabalho”

A presidenta do sindicato, Neide Rodrigues, critica a proposta do banco. “O Itaú quer que o sindicato dê sua ‘chancela’ para validar o ponto dos funcionários, assim como o banco de horas. Mas o sindicato não pode, e nem deve, validar as horas-extras dos funcionários. A obrigação é do banco!”, afirma.

Neide denuncia ainda que os bancários são frequentemente submetidos a jornadas irregulares.

“Eles são obrigados a trabalhar mesmo após marcarem saída no ponto, recebendo mensagens fora do expediente e sem poder definir uma compensação de horas. Não podemos aceitar um acordo que vai institucionalizar os desvios na jornada de trabalho e a arbitrariedade do banco de horas”.

Pressão e retaliação do Itaú

Como forma de represália, o Itaú cortou o pagamento da bolsa auxílio-educação dos funcionários, segundo o sindicato.

“As entidades sindicais estão dispostas a assinar todos os avanços obtidos nas negociações, mas não vamos assinar propostas que respaldam o desrespeito à jornada de trabalho”, reforça Neide.

Diante do impasse, o sindicato enviou um ofício ao banco no dia 3 de fevereiro solicitando a reabertura das negociações, mas até o momento não recebeu resposta.

Crédito: Midiamax por Lethycia Anjos