A Santa Casa de Campo Grande enfrenta mais uma fase crítica em suas finanças, marcada pelo atraso no pagamento de médicos e pela suspensão de cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais. A instituição, responsável por mais da metade das demandas de média e alta complexidade da Capital, busca alternativas para manter os serviços essenciais enquanto tenta resolver impasses com o poder público.
A diretora-presidente, Alir Terra, afirma que uma das ações judiciais em curso envolve mais de R$ 46 milhões que a prefeitura teria deixado de repassar durante a pandemia. Segundo ela, a devolução desse valor seria suficiente para normalizar as contas e retomar as atividades regulares.
“Se esses valores fossem devolvidos para a Santa Casa, conseguiríamos pagar a folha dos médicos atrasada, quitar grande parte dos fornecedores e retomar o funcionamento normal do hospital”, destacou Alir, defendendo o reequilíbrio econômico do contrato entre o município e a instituição.
Para tentar contornar a crise, a direção do hospital solicitou reuniões com representantes da prefeitura e do governo estadual. A vice-prefeita Camilla Nascimento recebeu a equipe e se comprometeu a buscar apoio junto ao Estado, mas ressaltou que o município não consegue arcar sozinho com a dívida.
“O município de Campo Grande disse que vai procurar fazer uma reunião com o governo do Estado para ver como resolver a atribuição da saúde da Capital, diante das dificuldades que enfrenta. Não é prudente que a Santa Casa leve a questão diretamente ao Estado. O governo pode participar, dentro da sua responsabilidade de contribuir com recursos, mas a iniciativa deve partir do município”, explicou Alir.
Enquanto isso, a paralisação já afeta diretamente o atendimento. Conforme a gerente de Inteligência e Regulação Hospitalar, Patrícia Berg, os médicos começaram a avisar sobre a suspensão dos serviços há cerca de 30 dias. Atualmente, apenas os setores de urgência e emergência seguem funcionando, com prioridade para casos de AVC, politraumas, ortopedia grave e cirurgias de risco.
“Estamos fazendo todo o possível para garantir o atendimento de urgência e emergência”, afirmou Patrícia.
As cirurgias eletivas estão praticamente paradas — apenas algumas especialidades, como oftalmologia, mantêm parte dos atendimentos. O quadro piorou na última semana, após metade dos anestesistas suspenderem suas atividades. “Temos 19 salas cirúrgicas, mas hoje apenas 10 estão funcionando”, detalhou Patrícia.
A redução também atinge exames que dependem de sedação, como tomografias e cateterismos. Questionada se a situação compromete o pronto atendimento, Patrícia reconheceu que há risco. “Muito provavelmente. Estamos priorizando os casos emergenciais e reorganizando o fluxo de pacientes para que ninguém fique sem atendimento.”
Mesmo diante das dificuldades, a diretoria técnica da Santa Casa reforça que os profissionais estão orientados a priorizar casos graves e garantir a continuidade dos serviços essenciais. Até o momento, o hospital afirma que nenhum paciente em estado crítico ficou sem assistência.




