A Santa Casa de Campo Grande enfrenta um momento delicado: faltam medicamentos e insumos básicos, como soro hospitalar e glicose, essenciais para o atendimento emergencial de pacientes. A denúncia, feita por uma funcionária da instituição, escancara a gravidade da situação.

“É um hospital filantrópico importante e está sem medicações, por exemplo, o soro hospitalar de 100 ml. A glicose está sendo regrada. Um paciente com hipoglicemia faz o que nesse caso?”, relata a profissional, que atua na linha de frente da unidade.

Diante da escassez, a equipe de saúde tem improvisado para não deixar de atender os pacientes. Sem o soro de 100 ml, os profissionais passaram a utilizar embalagens de 1.000 ml. Segundo a funcionária, até o uso de analgésicos está sendo remanejado. “Além disso, soro está sendo liberado para antibiótico. Quem tem dor precisa tomar Tramadol [analgésico]”, afirma.

Hospital atribui crise a déficit no SUS e promete soluções

Por meio de nota oficial, a Santa Casa reconheceu que determinados itens do estoque estão temporariamente indisponíveis. A instituição aponta o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) como causa principal da crise, que tem gerado um desequilíbrio financeiro severo.

Segundo o comunicado, a direção da Santa Casa está mobilizando suas áreas técnicas e administrativas para restabelecer o fornecimento dos insumos com agilidade. “A Alta Gestão da Santa Casa já está adotando as providências necessárias para o reabastecimento desses insumos, com o apoio das áreas técnicas e administrativas envolvidas. Esforços estão sendo intensificados para garantir a regularização do fornecimento no menor prazo possível, com total comprometimento com a assistência segura à população”, destaca o hospital.

A instituição ainda garante que a assistência não foi comprometida, graças ao uso de alternativas seguras e eficazes. “Importante destacar que o arsenal terapêutico do hospital é amplo e diversificado, o que permite, sob orientação do corpo clínico, a substituição de determinados medicamentos e insumos por alternativas terapêuticas equivalentes, sempre de acordo com critérios técnicos e respaldo das boas práticas assistenciais. Ressalta-se de que todos os pacientes estão recebendo atendimento conforme os protocolos e necessidades individuais”, conclui a nota.

CPI pode investigar situação da Santa Casa

Enquanto isso, a crise na Santa Casa também repercute no Legislativo municipal. O vereador Rafael Tavares (PL), autor do requerimento que propõe a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a instituição, aguarda resposta da Procuradoria da Câmara sobre possíveis barreiras jurídicas para a abertura da investigação. A expectativa é que um posicionamento oficial seja apresentado em agosto.

A solicitação de instalação da CPI foi protocolada no início de junho e está baseada na alegada falta de transparência da entidade, que declara operar com um déficit mensal de R$ 13 milhões nos atendimentos realizados pelo SUS.

Entre os objetivos da possível comissão estão a análise de eventuais falhas administrativas e financeiras, a verificação de irregularidades na gestão e a elaboração de propostas concretas para solucionar os problemas enfrentados pela unidade hospitalar.